Fim da licença-maternidade: a dor da separação que se repete a cada segunda-feira

Categorias: Prosa de mãe, Reflexões, Relatos de experiência

“Foram quase 5 meses de manhãs na pracinha , passeios vespertinos e sonecas que são a coisa mais gostosa de se ficar olhando… vou sentir falta de esticar a manhã e dormir mais um pouquinho de mãos dadas com você depois que o papai sai… vou sentir falta daquele colinho apertado que resolve o choro assustado que interrompe a soneca todo dia às 2 da tarde…vou sentir falta de conversar com você enquanto faço as coisas pela casa e você acompanha com o olhar…de passar o dia todo olhando cada nova expressão, cada novo sorriso…
A essa altura vc já aprendeu que “maefilho” não são uma coisa só (será que eu aprendi?), que a mamãe é outra pessoa, e agora vc vai aprender que essa pessoa se afasta e volta só no fim do dia cheia de saudades….
Mas será que precisava ser agora, já? Será que precisava ser por tanto tempo?
De qualquer forma “mommy loves you” e a partir de agora “misses you”!”

Escrevi esse texto na véspera de voltar ao trabalho há alguns anos, mas até hoje, aos domingos, sinto um pouco disso tudo de novo. Lembro que na época muitas mães que já haviam passado por isso me diziam “é difícil, mas é bom, você vai gostar de voltar a ser você” e eu pensava “mas eu nunca me senti tão eu antes!!!”, ou diziam “no final vai ser bom você vai ver, é um mal necessário”e eu me perguntava “será mesmo?!”. Agora quase 3 anos depois era de se esperar que eu dissesse: “É verdade! Elas tinham razão!” Mas não, pelo menos não para todas nós. É verdade que para muitas mães, apesar de todo o sofrimento (porque sentir todas sentimos, como se nos arrancassem um pedaço), a volta aos papos que não sejam sobre fraldas e mamadas, a chance de uma refeição não interrompida,  de vestir uma roupa normal e usar acessórios em que seu bebê não se agarre, de voltar a produzir alguma coisa que não seja leite e ser feliz fazendo algo que não olhar pro seu filho, acaba se revelando mesmo positiva.

Eu, infelizmente ou não, não faço parte desse grupo, mas se tem uma coisa que devo dizer de mais verdadeiro sobre o assunto, é que eu sofri muito mais antes de voltar do que depois que voltei. Doeu, doeu fisicamente, mas ter passado um dia que seja, e foram bem mais, chorando por isso não mudou nada. Esse é o maior conselho que eu tenho a dar: dói mesmo, é muito ruim, mas não perca seu precioso tempo com seu bebê sofrendo por antecedência! Não chore com ele nos braços, deixe pra quando sair de casa no primeiro dia e só a partir dele. Você vai sentir mesmo vontade de chorar, quando vir alguém empurrando um carrinho pela rua, quando chegar ao trabalho e todos te abraçarem, quando seu peito encher de leite e até quando for hora de ir embora e você ainda tiver que enfrentar o trânsito pra chegar em casa. Pensando bem nessa hora sua vontade maior será a de se teletransportar para casa. Por isso de coração, por mais que seja duro, espere o momento chegar para pensar nele.

Porque pode ser que passe, que com os dias tudo melhore, ou pode ser que não, pode ser que seja difícil a cada dia por muito tempo, ou a cada segunda-feira pra sempre, mas o fato é que a gente se habitua, a vida encontra seu lugar e tudo segue seu caminho. Por mais que algumas lidem com mais ou menos facilidade com esse momento, todas sofremos, mas nenhuma de nós chora pra sempre. Curta sua cria e quando chegar a hora da separação, boa sorte!

 

12 comentários

  1. Fernanda comentou:

    Oi. Parabéns pelos seus textos, são de uma sensibilidade que só mães entendem. Minha bebê hj está fazendo 5 meses e mês que vem vai ir para escolinha, ontem fizemos a matrícula dela, me deu uma dor… um aperto… Ela em casa é tão minha minha, me dedico a ela o dia todo. Acho que eu não sei ser eu mesma sem ela. Ela sou eu e eu sou ela. Vai ser difícil me adaptar mais do que pra ela, ainda bem que é apenas meio turno. Sei que será o melhor para nós… mas como dizer isso para um coração de mãe que chora só de pensar… Obrigada pelo texto e pelo espaço para desabafar. Bjo

  2. Vitória Couto comentou:

    Desde o dia que eu soube que estava grávida, que me doi quando eu lembro desse dia que vai chegar ou melhor, levei 16 anos pra engravidar porque eu pensava nesse dia. Pois sei que não é só doloroso pra mim, mais pra meu bebê. Eu fui babá e presenciei várias vezes, a dor das mães e dos bebês e isso refletiu em minha vida… Deixamos de ter o privilégio de ver cada desenvolvimento, cada descoberta e o seu desenvolvimento diário e outras coisas mais….. Mas temos que trabalhar e somos guerreiras e vamos conseguir…. Pois enfrentar essa nova etapa de nossas vidas, faz parte do fortalecimento e amor de uma mãe 🚼🚼🚼❤❤❤ Não é fácil, mais vamos conseguindo cada dia, cada semana ou até onde nos for permitido….

  3. gislaine comentou:

    Ai meu DEUS tudo o que sinto agora foi escrito no texto volto a trabalhar amanhã e não consigo esconder meu sofrimento difícil mesmo mas preciso financeiramente temos que ser fortes pois somos mães e mais fazem tudo pensando nos filhos

  4. GI comentou:

    As vezes me pergunto. ..porque temos que passar por isso…Doi so de pensar em deixar Minha pequena …hj com 1 ano e 5 meses…Ao matricular minha pequena na escolinha..pensei que fosse demorar para chama la…mas não. ..foi tudo muito rápido. ..pois pra mim. ..minha vontade era de colocar ela após os dois aninhos…mas ja aí surgiu a oportunidade. .e ela adorar crianças levei …Confesso que as duas primeiras semanas pensei que nao iríamos aguenta. .pois as duas choravam…acho que eu chorava mais. …mas agora após a terceira semana…ela até da xauzinho..e manda beijo..fico muito feliz….
    Por ela está se adaptando…decidi arrumar um.emprego…
    Mas meu coração doi so de pensar…e me pego chorando que vou morrer de saudades…será que ela vai ficar bem sem eu…pq até então. .ela fica so meio período. ..
    Ao mesmo tempo que quero trabalhar…ter independência financeira…quero estar com ela….Tenho recebido muitas críticas. ..por querer trabalhar. .mas cada um sabe onde o calo aperta. .e vou tentar…se fosse assim nenhuma mãe voltava trabalhar…

  5. Elizangela Vincensi comentou:

    Meninas também estou assim como todas vocês! O que me conforta é que não estou sozinha! Volto ao trabalho agora em maio e choro todos os dias só de pensar! Como uma das mães falou tb sou concursado e difícil largar tudo! Mas vamos lá! Ótimo texto!!

  6. Oi gente, eu tbm estou sofrendo desde a gravidez qdo ainda estava trabalhando, minha licença acaba agora em março e nao sei o fazer, pois tenho q voltar a trabalhar pois sou concursada e ai fica mais dificil fizer q nao vou mais trabalhar, se nao fosse esse o caso eu nao voltaria elo menos durante uns quatro anos. Mais sei q dará td certo tbm.

  7. Soraia comentou:

    Olá. Li este texto espectacular e despertaram-se em mim sentimentos contraditórios….a minha filha tem quase 3 anos, e desde k estava grávida dela logo no início, que fui despedida e nunca mais consegui ter um trabalho fixo até agora. Quando ela tinha 6 meses fui trabalhar, mas a meio tempo, depois de 4 meses estive de novo em cada depois passado 2 meses fui trabalhar de novo a meio tempo. Passado outros 5 meses fio trabalhar a tempo inteiro apenas durante 4 meses ela tinha 23 meses. Quando o contrato acabou senti um alívio enorme por poder volta a estar mais tempo com ela, e isso aconteceu em Janeiro do ano passado. Voltei a engravidar e tenho um bebé que tem agora 2,5 meses, mas há mais de um ano que estou desempregada…. E, se antes pensava que a minha filha e agora o meu filho, me completavam agora não tenho a certeza. Talvez não esteja a ser clara. Eles preenchem-me, transbordam-me. Mas falta-me a outra parte… A parte que me completa enquanto pessoa, que é ter um emprego, ter o meu rendimento e liberdade financeira. Ter algo para além da casa, objetivos, profissionais. E o tempo começa a pesar e a transformar a tranquilidade em ansiedade, começo a já não estar 100%bem para os meus filhos… E perguntam vocês “mas o seu bebé só tem 2 meses!!??” pois eu também pensei que com o nascimento dele estes sentimentos desvanecessem mas infelizmente não… Porque queria saber ser uma mãe a tempo inteiro como eu já fui…. 🙁

    1. Mary Jo comentou:

      Soraia, eu me sinto muito como vc, não se culpe por querer voltar a trabalhar mesmo se sentindo tão completa com seus filhos! É exatamente assim que me sinto (e também me culpo às vezes…). Essa semana meu esposo me disse que se eu arrumasse um emprego que pudesse nos sustentar ele ficaria em casa com nosso filho e não sentiria nenhuma falta de trabalhar. Fiquei bastante surpresa e me senti meio mal de pensar que eu, a mãe, não penso como ele e sinto falta do meu trabalho. Mas depois pensei q isso não faz de mim uma mãe ruim! Temos que aceitar quem somos. Não adianta tentar sufocar nosso desejo de ter realização profissional… O ser humano é bastante complexo e há lugar para a mãe e a profissional em nós! Espero que você arrume um emorego! Vai ser difícil no começo conciliar tudo mas acho que você vai se sentir melhor e sempre será a melhor mãe que pode ser para os seus filhos! Desejo sorte pra nós, mães multifacetadas e que amam demais a profissão e os filhos <3

  8. Evelyn comentou:

    Hj ja faz mais de 1 ano q voltei da licença, e ainda dói! Dói mto!
    A maneira que achei de amenizar foi coloca-lo numa escola perto do trabalho, que ele pode ir e voltar comigo e ficamos esses tempinho a mais juntos 😍

  9. bruna freo comentou:

    Que texto maravilhoso, simplesmente me descreveu. Tento não sofrer mais é inevitável. Estou insegura, triste e com muito medo.

  10. Mary Jo comentou:

    Que lindo, cortante e sincero o seu relato! Me identifiquei, quando meu filho fez 1 mês (hj tem 3) eu já meio q sofria de pensar que ele iria pra escolinha com 5. Acontece que a empresa em que trabalho vai me demitir depois da licença e agora estou sem emprego. Por um lado fiquei muito aliviada por poder ficar mais em casa com ele, mas agora também sinto uma angústia por não saber como será meu futuro profissional. Eu anseio pelo momento em que “voltarei a me sentir eu mesma”, como você.falou, estou nesse grupo. Tem sido muito difícil pra mim não me reconhecer direito no meio do turbilhão de sentimentos que é esse início de maternidade, tanto física quanto psicologicamente. Mas enfim, sigo tentando não pensar agora, uma vez que decidi aguardar uns meses antes de começar a trabalhar de casa ou procurar um novo emprego fixo. Mas eu sei que mesmo assim vai doer me separar dele e vou morrer de saudade desses momentos que você descreveu 🙁

  11. Lu comentou:

    Meu Deus… Me sinto como vc. Não acredito que a separação seja positiva é uma dor que parece me rasgar. Tenho sofrido desde o dia q minha filha nasceu pensando nisso confesso tento não pensar mas é inevitável. Me sinto muito mais eu e completa rodeada com meu filho e minha bb. Preciso de ajuda para aguentar e decidir o que fazer. O tempo está acabando.

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