Consultas pediátricas e a TPP: tensão pré-pesagem

Categorias: Conversa fiada, Prosa de mãe

Pedro acaba de fazer 3 anos e, segunda-feira temos consulta de acompanhamento com o pediatra. Mais uma consulta de rotina, onde vamos conversar sobre os últimos meses, contar como anda a alimentação, o sono, o funcionamento do intestino, falar um pouco das viroses por que passamos neste período, ele será pesado, examinado…. enfim, nada de novo, nada que todos nós, Pedro, papai e eu já não estejamos mais do que acostumados, logo não há nenhum motivo para apreensão. Mas não foi sempre assim, lembro que as consultas dos primeiros meses eram aguardadas com a mesma ansiedade com que se aguardam as provas bimestrais na escola, tudo por conta da temida pesagem, que para mim era como a nota no meu boletim de mãe.

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Salvo os casos especiais, falando de bebês saudáveis, as preocupações dos primeiros meses se resumem basicamente a “está mamando o suficiente?!” e “está ganhando peso?”!!!! Como bem dizia uma amiga minha, bom seria se o peito tivesse marcação em mililitros, ajudaria bastante!!! Então você passa o mês inteiro amamentando seu filho em livre demanda, e buscando indicadores que te ajudem a determinar se ele esta de fato sugando leite o bastante!! O tempo que ele fica no peito, o tempo de intervalo das mamadas, as vezes que acorda a noite, as vezes que enche a fralda, mas não adianta, é só a balança que te tranquiliza, aquele número lá, preciso e absoluto, atestando que você fez direitinho o seu dever de casa.

Mas a verdade é que não é nada disso, organismo não lê livro e criar um bebê está longe de ser uma ciência exata. Entram aí diversas variáveis, refluxo, alergias alimentares, genética e outras. Minha história de amamentação é bem peculiar, Pedro teve bastante dificuldade para pegar o peito no início, e mesmo quando pegou, nunca foi muito amigo dele, mamava para se satisfazer e pronto.  Ele gostava de fartura, peito cheio e pouco esforço, de tão afoito quase sempre golfava, mas depois de meses de observação, acabei convencida que era uma questão muito mais comportamental do que fisiológica.  Livre demanda?! Confesso que foi difícil aplicar, porque ele simplesmente não procurava o peito, por vezes ele berrava com fome, e berro de fome vamos combinar, a gente logo aprende a identificar, tem um sentido de urgência inconfundível. Nesses casos ele aceitava o peito, mas na grande maioria das vezes eu dava mesmo antes dele pedir, porque começava a achar que já estava na hora mesmo… com o tempo ele até começou a demonstrar aquela alegria característica quando via que era hora, agitando os bracinhos e sorrindo, mas a euforia durava o tempo de encher a barriga, mesmo sem esvaziar o peito, uns 5, 10 minutos em cada um e pronto.

Com tudo isso, eu acreditava que tinha mais do que motivos para me preocupar com o ganho de peso, mas conversando com as amigas, mesmo aquelas que tinham filhos que ficavam pendurados no peito o dia todo, tinham os mesmos medos e dúvidas, “está mamando mesmo, ou está só chupetando?”, “está mamando menos, será que meu leite está diminuindo?” e outras do gênero. E pensando bem, preocupação não faz bem pra produção, quem nunca ouviu isso?!

Mesmo não me sentindo muito apta a dar dicas sobre amamentação, seja você mãe de um bezerro, ou mãe com pouco leite, que amamenta o dia todo, ou que precisa complementar, preocupe-se menos e observe mais. Preste atenção aos sinais do seu corpo e ao comportamento do seu filho, aproveite as consultas para conversar com seu médico sobre tudo e não só para pesar e medir, converse com outras mães, ouça seus instintos, curta a amamentação, se algo estiver realmente errado, você ou seu pediatra irão notar. Por maiores que sejam as dificuldades que você esteja encontrando, a amamentação é um processo natural e instintivo, cedo ou tarde tudo se ajeita. Se preciso busque ajuda de um banco de leite ou de uma consultora, mas esqueça um pouco a neura da balança, afinal boa parte de nós já passa a vida vigiando nosso próprio peso né?!

 

Imagem destacada: Yoshihide Nomura/Creative Commons