O fim dos 2 anos: um ano de despedidas e novidades

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E enfim acabaram os terrible twos, mas será que mudou alguma coisa?! Bom, devo confessar que apesar de algumas fases mais birrentas e da descoberta do poder de escolha, afinal os twos não foram assim tão terrible! Sabemos que essa é uma idade de transição, sai o bebê entra a criança. Em geral, é hora de abandonar as fraldas, trocar o berço pela cama, dar adeus às chupetas e às mamadeiras, desmamar se for o caso, ganhar mais independência, e com tantas mudanças é natural que a rotina de mãe e filho mude bastante.

Vamos começar do início, aqui em casa essa era do tchau começou ainda antes dos 2 anos, quando aos 1a9m nosso pequeno escalador começou a fugir do berço e decidimos que era hora de promovê-lo à cama. A troca em si foi fácil, como o berço se transformava em bicama, apenas desmontamos o berço, compramos uma grade móvel e estava feito. Ele se adaptou bem, mas mudou completamente nossa rotina da hora de dormir, eu que estava acostumada a colocá-lo no berço, dar um beijinho de boa noite e deixá-lo dormir sozinho, passei a ter que colocá-lo de fato para dormir, deitar junto, esperar pegar no sono. Naquele momento eu achei que ele precisava disso, e agora estou começando a ensaiar uma maneira de ensiná-lo a dormir sozinho de novo, porque a coisa acabou virando hábito e tirar agora não está me parecendo nada fácil.

Então vieram de fato os dois anos e todas as suas novidades, a maior delas foi entrar pra escola, eu optei por colocá-lo só com essa idade, já no maternal. Acho que foi a hora certa e não me arrependo da escolha, mas é inegável o salto de desenvolvimento neste primeiro ano escolar. Entrou falando quase nada, poucas palavras soltas, e hoje fala frases e estabelece diálogos. Ficou mais independente e mais sociável. Acostumado a brincar muito sozinho, Pedro aprendeu a curtir as atividades coletivas, e hoje já até participa da recreação nas festinhas. Como nem tudo são flores, ele aprendeu também a gritar, alias essa foi a primeira coisa que ele aprendeu na creche, e a brigar, embora até hoje não tenha se envolvido em nenhuma ocorrência com os amiguinhos.

O desfralde aconteceu meio que em paralelo a esse processo de adaptação na escola, o que não seria de maneira nenhuma o aconselhável, mas acabou se iniciando gradual e naturalmente, e por fim sendo determinado por uma alergia, dermatite da fralda, aos 45 do segundo tempo. Sendo a hora certa ou não, o processo já estava indo bem então tiramos e pronto. Funcionou! Ainda dorme de fralda, mas como a tal dermatite vive a rondar por aqui, estou começando a criar coragem para o desfralde noturno também, e principalmente para o que me parece mais difícil: tirar o “mamá” de antes de dormir. Prometo que depois eu conto!

Pacifier Tree

Confesso que tirar a chupeta era algo que só passava pela minha cabeça fazer lá pelos 3 anos, mas o destino me deu uma oportunidade imperdível, uma afta! Não foi fácil, na verdade foi horrível, foram 5 noites de uma crise pesada de abstinência, mas justamente por isso, eu não tive coragem de devolver a chupeta, que ele mesmo rejeitou por 5 dias, quando a afta melhorou. Não era justo fazê-lo passar por aquilo duas vezes. Meu coração de mãe acha que psicologicamente ele ainda não estava preparado, mas depois de 5 noites sem ela, eu estava convencida que ele não precisava mais do ato fisiológico de sugar. Eu que sou meio durona e não sou de ter pena de filho, confesso, tive que me segurar para não ceder algumas das inúmeras vezes que ele pedia a “pepê” com tanta saudade no olhar. Coincidência ou não ele voltou a acordar pedindo “mamá” de madrugada, coisa que não fazia mais desde que saiu do berço. Por vezes ficava sugando a mamadeira vazia.

Por falar em mamadeira, essa foi a mais fácil das trocas, depois de rejeitar algumas vezes outros bicos, e eu tendo desistido de forçar mais essa troca já em meio a tantas mudanças (a chupeta ainda me doía), um dia sem mais nem menos ele pediu o leite no copo, tomou por uns dias e depois pediu na mamadeira de novo, mas aí foi só colocar o bico do copo de transição na mamadeira e tudo resolvido, por hora vamos levando assim. A linha da Avent tem essa vantagem, ela é toda compatível!

Fazendo toda essa retrospectiva e pensando ainda em outras reviravoltas, como em agosto ter passado a ficar o dia todo na escola, fazendo agora as refeições lá também, ter deixado de ficar com a avó, de frenquentar a praça…. devo dizer que os ataques de choro por expectativas frustradas, a desobediência acompanhada de gargalhadas como se tudo não passasse de uma grande brincadeira na hora da bronca, o aumento da seletividade na escolha dos alimentos e as demonstrações iniciais de uma personalidade forte são perfeitamente compreensíveis e contornáveis pra quem cresceu tanto em um ano. Agora é se preparar para os threenagers, que a julgar pelo último mês, ah! … esses sim prometem!!! Afinal dizem que é como video game, cada fase fica mais difícil!!!

Imagem destacada: Eric Gilliland/Creative Commons