Dificuldades na amamentação: avalanche de informações, palpites e sentimentos

Categorias: Conversa fiada, Prosa de mãe, Relatos de experiência

Pretendia evitar assuntos polêmicos por um tempo, e começar logo com um top 5 da confusão pode parecer um pouco audacioso para quem acabou de se meter nesse inflamável mundo virtual materno. Mas vamos lá, depois de ler o relato de uma amiga que está vivendo o auge das dificuldades com amamentação, simplesmente não resisti!

Embora minhas dificuldades tenham sido bem diferentes das dela, e da maioria, eu tinha leite em quantidades suficientes, mas meu filho simplesmente não pegava o peito, não mamava, e só começou a mamar já com quase 2 meses, depois que eu apelei para táticas nada ortodoxas (não estou sugerindo que você faça o mesmo!), incluindo chupeta e mamadeira e até ficar alguns dias sem oferecer o seio, eu consegui amamentar até os 6 meses, complementando a partir do quinto. Mas isso não vem ao caso agora, quero falar mesmo é sobre o coração de mãe no meio desse turbilhão de sentimentos, regras, palpites e conceitos.

Três anos depois de ter vivido isso, já tendo lido horrores sobre o assunto, conhecido e acompanhado diversas histórias no mundo real e virtual, ouvido e descoberto consultoras e grupos de apoio à amamentação, eu confesso, ainda me restam mais dúvidas do que certezas: o que é certo ou errado, o que é mito ou verdade, quais os limites, causas e efeitos, o que eu poderia ter feito diferente? O resultado seria outro? O que nos difere das que conseguem?! Será que é só mesmo uma questão de seguir a cartilha, e todas seremos capazes de amamentar?

A mim basta saber que fiz o meu melhor, e digo isso sem nenhuma intenção de atenuar a minha culpa, já passei dessa fase, e se não superei, ao menos convivo com ela. Hoje acredito que existem uma série de diretrizes pregadas por quem estuda e entende do assunto e por isso certamente têm fundamento, mas não são verdades absolutas. Devem ser seguidas, mas não cegamente. O que nos difere umas das outras? Tudo! Somos organismos diferentes, mulheres vivendo em ambientes distintos e com histórias e filhos também diferentes. Acredito que toda mulher, ou pelo menos a imensa maioria delas, é sim capaz de amamentar, mas se tentar sem desistir, se for sua escolha, vai amamentar, seja por 3, 6 meses ou 2 anos, complementando sempre ou eventualmente, tendo apoio da relactação, não importam as condições e nem por quanto tempo! Mas vai amamentar. E vai valer à pena! E só quem poderá saber seus limites, é você! Eu precisei dar um passo pra trás para conseguir continuar e, se não ganhar a corrida, pelo menos completar o percurso.

Entendo também que há muita falta de informação, e que muitas enfrentam dificuldades por conta de orientações mal recebidas ou por falta delas. E convenhamos, é preciso coragem e muita convicção para ir contra uma prescrição profissional quando está em jogo o desenvolvimento e a saúde do seu bebé recém nascido, e ainda mais por isso o conhecimento prévio é tão válido. Então alguem vai apontar aquela que simplesmente optou por desistir (e será que foi só isso mesmo?!), não acredito que esteja nas redes sociais desabafando sobre o assunto. Falo sobre aquelas para quem essa decisão foi sofrida, pra quem sentiu a dor de constatar que seu filho chorava de fome. Para quem sentiu vergonha de dar uma mamadeira em público. Para quem está experimentando um maremoto de novidades íntimas e pessoais, além de aprender a lidar com um amor e uma vida inteiramente novas, sem conseguir executar a tarefa mais natural da maternidade, para quem a avalanche de informações, palpites e regras às vezes mais atrapalha do que ajuda. A sensibilidade está tão a flor da pele, que a linha entre o que tranquiliza e o que desespera, o que encoraja e o que frustra é muito tênue.  Pessoalmente, eu ouvia “você vai conseguir é só ter calma, toda mulher é capaz” e só me sentia pior e mais incompetente, ou por outro lado “relaxa! ele está tomando seu leite, isso que importa!” e pensava, mas eu quero amamentar!!! Eu queria me queixar da dor dos bicos rachados, da exaustão de ter o filho pendurado no peito o dia todo, eu e ele merecíamos!

Dizem por aí que amamentação exclusiva é para as fortes!!! Sinceramente, ser mãe é para as fortes! Eu me senti a mais forte de todas quando aos 2 meses, finalmente demos adeus às mamadeiras, enxergo da mesma maneira as mães que amamentaram por meses ou anos, ainda que complementando, e toda àquelas que souberam a hora de abrir mão de suas convicções e desejos pelo bem do seu filho, seja qual foi a decisão implicada nisso. A todas as que atingiram o olimpo da exclusividade, não só admiro como invejo um pouquinho, mas sem deixar de reconhecer que isso não significa que foi fácil, ou foi, por que somos todas diferentes, lembra?!

Se eu faria alguma coisa diferente?! O que passou, passou, mas no próximo farei, eu aprendi alguma coisa afinal…. mas a primeira delas será ouvir meu coração antes de ouvir os outros. Que venha a saraivada de críticas e acusações de apologia à mamadeira e ao complemento (que fique bem claro eu não defendo, apenas entendo terem suas indicações), eu apenas abri meu coração sobre o que pra mim foi o desafio mais delicado da maternidade e por isso não poderia ficar de fora do blog, essa experiência também me faz a mãe que eu sou!