Nasceu, e agora?! O que fazer com tantos medos?

Categorias: Prosa de mãe, Reflexões

Em primeiro lugar entender que você é absolutamente normal, quase todas nós sentimos isso quando nos vimos com um filho recém nascido nos braços, não tem nada de errado com você!!!

imagem: Daniel / Creative Commons

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Parte desse medo todo que a gente sente ao sair do hospital com um bebê nos braços e continua sentindo ainda por algumas semanas, eu disse parte dele, se dissipa, mas outra parte nunca mais nos abandona. Aquela mulher destemida que pegava um taxi de madrugada pra voltar da night (tô velha, né! no meu tempo era night, hoje é o que, balada?! risos), entrava no mar de Saquarema em dia de ressaca e ia a jogo no Maracanã sozinha…. essa mulher não existe mais. A partir de agora, você sempre vai pensar duas vezes em tudo, por que você precisa voltar pra casa, você precisa estar lá!

Mas voltando ao início, nos primeiros dias quase toda mãe tem medo de coisas simples, como dar o primeiro banho, cortar as unhas do bebê (eu não corto até hoje!!! é tarefa do pai!), lidar com o umbigo, ficar sozinha com o filho e por aí vai. A melhor forma de superar é enfrentar, quando Pedro nasceu meu marido tirou férias, e quando aquele mês estava prestes a acabar eu fiquei muito apreensiva, mas a verdade é que ficar sozinha com meu filho me fez um bem enorme, me fez me sentir segura, capaz, tomei as rédeas e fui! E dali pra frente ficou tudo muito mais fácil. Lembro que eu tinha receio de algumas coisas bem específicas, como por exemplo atravessar a rua, chegar perto de janelas e tomar banho de porta fechada. Quando Pedro tinha 2 meses eu me mudei, saía com ele pra passear, e por 2 dias só consegui dar a volta no quarteirão onde não precisei atravessar a rua empurrando o carrinho sozinha. E os mosquitos?! Ah esses aos olhos de algumas mães se transformam em monstros ferozes!!! Conheço algumas que tinham pavor de sol, outras de barulho, ou morrem de medo de dormir amamentando e cair por cima do bebê. E quem nunca levantou para checar se o filho estava respirando?!

Aí o bebê cresce um pouco, começa a se virar de bruços, mas o pediatra diz que não pode dormir assim, então a maluca aqui ficava velando a soneca da tarde pra deixar ele dormir um pouquinho naquela posição que parecia estar tão boa. Então começam a crescer e temos medo que engasguem, a andar e o cuidado é para que não caiam. Todo esse cuidado é normal, mas temos que dar espaço pra que eles experimentem, se desenvolvam e se fortaleçam, e isso vai ser assim para o resto da vida. E afinal eles não quebram, eles crescem fortes e saudáveis a despeito das nossas pequenas trapalhadas e mancadas. Quantas de nós já não choramos por deixar um bebê cair da cama, queimar a boca com a sopinha, se arranhar com uma unha mal cortada ou se beliscar com algum fecho de roupa por exemplo. Eu cometi algumas dessas!

Nasce um bebê, nasce uma mãe, e junto a culpa e o medo, estranho seria se não fosse assim. O importante é saber lidar com esses sentimentos sem que interfiram e atrapalham a criação do filho e a saúde mental da mãe. De louca já basta a vida!