Chupeta: chegou a hora de entregar para o Papai Noel?

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Chegou o natal! Se você tem um filho na faixa dos 3 anos que usa chupeta deve estar começando a lhe preparar o espírito para entrega-las ao Papai Noel, acertei? Pois é, muitos pais recorrem a essa estratégia, e convencem seus rebentos a dar adeus às chupetas aproveitando para suavizar o momento com um pouco de fantasia. Observando esse movimento à minha volta, achei que era a hora para escrever sobre o assunto e contar um pouco como foi aqui em casa.

Imagem: Chris Wild / Creative Commons

Imagem: Chris Wild / Creative Commons

Como nos livramos das chupetas

Estou super aliviada de ter chegado a essa época do ano já tendo cumprido esta etapa, por que no meu planejamento materno, e principalmente pelo nível de dependência que rolava por aqui, eu só pretendia enfrentar essa batalha quando Pedro completasse os 3 anos, o que na minha cabeça era o prazo máximo aceitável. Mas quis o destino me oferecer uma oportunidade fora de hora: uma afta!

Digo fora de hora por que apesar de saber que como todo o resto, esse processo pode variar muito de criança para criança, eu desconfio que também tem uma coisa de timing, tem que ter uma hora certa, assim como para o desfralde, a criança precisa estar preparada, dar sinais! E eu não tenho a menor dúvida que Pedro não estava. Claro que isso não significa esperar há de eterno até ele resolver se desapegar, porque há questões de saúde aqui (ortodôntica, fonoaudiológica e outras mais), mas fomos nós oferecemos a chupeta a eles, como objeto de referência, calmante, para suprir necessidades deles e nossas, não dá pra chegar do dia pra noite e dizer que não pode mais usar porque faz mal (mas não fazia antes?!)… não dá pra esperar que eles entendam, né?!

Então antes de qualquer coisa é preciso preparar o terreno, eu comecei a tentar fazer isso bem cedo, desde 1 ano eu forçava a barra com Pedro dizendo que a “pepê” morava no berço, tentando limitar o uso a hora de dormir, mais pra frente comecei a não levar a chupeta quando saíamos, mas a verdade é que ao menor sinal de estresse ou cansaço, ele pedia a chupeta, e confesso, muitas vezes no auge do nosso cansaço e estresse, sucumbíamos. Assim aos 2a6m ele usava 2 chupetas para dormir (uma na mão e uma na boca, apesar das minhas tentativas de deixar uma só),  e “chupetava” a noite toda, e eu não via por onde tirar antes dos 3 anos.

Eis que apareceu uma afta na língua e ele mesmo não conseguia usar a “pepê” e nem a mamadeira, foram 5 dias muito difíceis! Além de todo o problema pra comer e do incômodo, ele ficou sem o consolo da chupeta, a irritação chegou ao grau máximo, haja carinho e paciência para amenizar.  A noite ele chorava, berrava, se debatia, não conseguíamos pegá-lo no colo que ele se esticava, se retesava… sem exagero nenhum, era claramente uma crise de abstinência, e assim foi ficando pior e quase não dormimos por 4 noites, até que na quinta, ele dormiu melhor, e daí por diante passou. De verdade, eu achava que não era a hora, que ele ainda sentiria falta e que depois daqueles dias sem ela devia estar louco para usá-las, senti pena, mas por outro lado, eu não podia imaginar deixar ele passar por tudo aquilo de novo. Nem sei se seria assim, talvez no futuro ele já estivesse menos dependente, mas não dava pra correr o risco, e além de tudo eu pensava, se havia alguma dependência fisiológica, do hábito de sugar, ele já tinha superado, a questão agora seria absolutamente psicológica.

Assim, aproveitei um livro que tínhamos em casa, que contava a história de um balde mágico em que chupetas viravam brinquedos, e enquanto a afta ainda incomodava jogamos as duas  remanescentes lá, e retiramos um trem que ele tanto queria. Quando ficou curado, não deu outra: “mamãe o dodói já merolhou, kd minha pepê”, e eu o relembrei do balde, do trem e etc…. e assim fiz todas as outras vezes que ele pediu, e foram muitas, passava um tempo e eis que ele pedia de novo, levou uns 2 meses para desistir de vez. Coincidência ou não ele passou a dar mais trabalho de madrugada, dá umas choradas, pede mamá (que já não fazia há quase 1 ano), e por outro lado pouco tempo depois aceitou espontaneamente trocar o bico da mamadeira pelo do copinho de transição para o leite (para outros líquidos ele já não usava).

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Enfim, não foi fácil, mas foi reconfortante ter um motivo alheio às nossas vontades, por que uma coisa é fato, se você decidiu tirar-lhe a chupeta esteja preparada porque pode ser simples ou não, e você vai precisar ser firme. Se você puder respeitar o tempo do seu filho será ótimo, mas se você achar que é a hora, siga em frente e não volte atrás, mesmo não sendo a hora dele, passa, e no fim, é ótimo se ver livre desse que pode se tornar um problemão mais tarde.

 Outras ideias para retirar a chupeta

Além de entregar ao Papai Noel, você pode recorrer a outras ideias:

  • Coelhinho da Páscoa: se você acha que ainda não está na hora, pode esperar a páscoa, a idéea em si é a mesma.

– Ainda no Natal: A entrega ao papai noel pode ser feita ao vivo, no shopping, na escola, ou deixando em algum cantinho da casa para o bom velhinho que virá visita-los na noite do dia 24, mas uma outra alternativa que eu acho muito bacana é levar a criança a um presépio vivo e entregar para o menino Jesus, que é também um neném e fica fácil explicar que ele precisa mais da chupeta do que seu filho.               

– Balde das chupetas: a vantagem desse aqui é que você não precisa esperar nenhuma data especial, você não precisa nem ter o livro pra usar essa tática, mas eu acho que ajuda bastante, eu já lia essa historinha pro Pedro bem antes de pensar em aplica-la, por isso na hora H ele já estava familiarizado com a ideia.

  • Deixar o bico envelhecer: a dica de alguns pediatras é deixar o bico desgastar e supostamente a criança perderia o interesse, aqui não aconteceu! Perdi a conta de quantas chupetas se rasgaram e ele pedia uma nova, e se recusar a comprar outras seria tomar a decisão de tirar a chupeta, naturalmente não aconteceu. Mas não quer dizer que aí não pode funcionar.

  • Pequenas atitudes para ir preparando o terreno: limitar a apenas uma chupeta, definir regras de uso, tipo só para dormir, não usar na rua, retirar a chupeta depois que a criança pegar no sono (mas avise que vai fazer isso), e principalmente não deixá-las a vista e ao alcance do bebê.

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