Sobrepeso na gestação: o que eu aprendi na primeira gravidez

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Não fui uma criança gordinha, mas desde o fim da adolescência e início da juventude eu brigo com a balança por alguns quilos a menos. PhD em efeito sanfona, a cada novo ciclo as oscilações de peso iam ficando maiores, e eu que até então era variava de normal a cheinha , fui chegando cada vez mais perto da obesidade. Cheguei a emagrecer 15kg para o meu casamento e engordar os mesmos 15 e mais alguns logo em seguida, tudo num intervalo de um ano. Assim, quase 20kg acima do peso ideal e louca para engravidar, comecei a tentar emagrecer novamente, mas a ansiedade de quem queria logo começar a tentar e um emprego que me fazia extremamente infeliz estavam me atrapalhando bastante. Marquei uma consulta, conversei com a GO sobre os efeitos de uma gestação acima do peso, e fui aconselhada por ela a começar a tentar, já que isso estava provocando tanta angústia e eu poderia levar um tempo até engravidar, enquanto isso seguiria controlando a alimentação para perder pelo menos os 10kg que tinha colocado como meta para uma gravidez mais saudável. Depois de me examinar ela ainda completou, “se que tentar mesmo, hoje é o dia, você está ovulando!”.

Eu sabia que não seria fácil, quem sofre com o engorda e emagrece sabe que a cada vez é mais difícil, depois de já ter tomado remédio, passado dos 30 e com distúrbio de tireóide então… não me faltariam desculpas para tentar justificar o fracasso, mas a verdade é que não deu tempo! Quinze dias após a consulta, com apenas um dia de atraso, nenhum grama a menos, eu estava grávida!

Imagem: TipsTimesAdmin / Creative Commons

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Ao contrário do que o título do post sugere eu não tive nenhuma complicação na gestação, nada de diabetes gestacional, pressão alta…. claro, sofri um pouco de dor nas costas e nos quadris o que provavelmente se agravou com o peso principalmente no fim, mas não tive nada clínico, nada que trouxesse risco para mim ou para o bebê, nadinha mesmo. Então por que estou escrevendo este texto?! Porque na gravidez tudo foram flores, a barriga que a vida toda foi motivo de vergonha agora era de orgulho, mas na prática, depois do parto, eu descobri que existem muitas outras complicações em engravidar acima do peso, muitas que os médicos não poderiam contar, mas eu posso:

  1. Gordura dói: se você já fez uma massagem redutora, modeladora ou qualquer tratamento estético do gênero, você sabe, gordura dói!! Se não, se dê um beliscão no pneuzinho lateral….ai!!! Doeu né, bem mais do em qualquer área mais fortinha, não é mesmo. Agora imagina sofrer um corte nessa enorme camada de gordura (no caso de uma cesárea necessária como a minha!)? Sim a minha incisão doeu e incomodou por bastante tempo no pós parto. Além de sentir toda a área remexida e dolorida, sensação de musculatura frouxa, barriga mole e órgãos soltos… Loucura ou não era essa a minha percepção! Muitos meses após o parto, uma simples caminhada mais puxada, me deixava bem colorida no dia seguinte, dores musculares na pélvis e no baixo abdome, mais ou menos como no fim da gestação, era como se tudo aqui dentro ainda pesasse!
  2. Condicionamento físico: ter um filho pequeno exige um condicionamento físico danado, desde levantar várias vezes a noite, algumas no susto, carregar no colo por horas, balançar de um lado pro outro pela casa, andar abaixada segurando os dedinhos na época dos primeiros passos, sentar e levantar do chão mil vezes por dia quando começam a sentar e engatinhar, até correr atrás deles nas brincadeiras e travessuras… ou seja, seu excesso de peso, vai literalmente pesar!

  3. Cinta pós parto: o assunto é controverso pois há quem recomende não usar, eu particularmente não conseguia ficar sem, por toda essa sensação de barriga frouxa que falei acima, mas por outro lado achar uma cinta que me coubesse não foi nada fácil e se elas já são desconfortáveis para qualquer uma, pras gordinhas então, nem se fala! Aperta tudo, mas o excesso pula por todos os lados, machuca, eu cheguei a ter feridas nas costas…..

  4. Roupas: durante a gestação você tem uma gama de roupas de grávida para usar, vestidos, leggins, mas o filho nasce e a barriga permanece, sendo que agora você não terá mais o mesmo prazer em exibi-la, mas ela estará lá, fazendo com que os outros ainda te deem o lugar no metrô! Você precisa de roupas práticas que te possibilitem amamentar, que disfarcem a barriga, que sejam confortáveis, e você não tem tempo pra procurar, precisar de tamanhos grandes só dificulta mais as coisas.

  5. Auto-estima: você tem um bebê recém nascido em casa, dorme pouco, mal consegue tomar um bom banho, sua aparência definitivamente não é das melhores, isso é assim para qualquer uma, mas se você está gorda acredite, tudo piora! Até porque se as coisas já não estavam em ordem no seu corpo antes, imagina agora, eu emagreci os 17kg ganhos nos 9 meses de gestação ainda na licença, mas o corpo, nossa! quanta diferença!

  6. Fotos: geralmente quem não está feliz com o próprio corpo foge da câmera não é mesmo?! De corpo inteiro então nem pensar…. mas agora você tem o bebê mais fofo do mundo e vai querer tirar milhões de fotos dele e com ele! Você vai querer registrar os momentos em que brincam, dormem juntos, em que amamenta…. e se você continuar fugindo das fotos corre o risco de quando for fazer o álbum do primeiro ano do seu filho descobrir que você quase não está nele!

  7. Recuperar o peso ideal é ainda mais difícil: Ué mas amamentar não emagrece? Cuidar de um bebê não gasta muita energia? E você nem tem tempo para comer direito, certo? Sim tudo isso é verdade e de fato não foi difícil perder os quilos ganhos na gestação, mas para quem engravidou acima do peso, ir além disso e perder mais peso é bem difícil sim. Isso porque fazer dieta requer tempo e empenho em olhar para si mesma, e esta é a última coisa que uma recém mãe faz. É muita novidade na sua vida, muita coisa pra se adaptar, muitos sentimentos para lidar e a última coisa que você quer neste momento é pensar em dieta. Atividade física regular? Nem pensar, você não tem tempo e quando tem, a disposição é zero. Você e seu corpo precisam de um tempo pra balanço e isso, para quem tem tendência, quase sempre significam quilos a mais na balança.

Enfim, por tudo isso, 4 anos depois, estou de volta ao começo, lutando para perder peso e começar a tentar o segundo filho, desta vez já foram 10kg embora, ainda faltam outros 10 para eu chegar perto do ideal…. e eu não vou bobear, nem que eu tenha que reler este post todo mês! Porque vocês sabem, mulher quando o relógio biológico apita….. bom, que toda essa vontade me sirva de estímulo!

E que meu relato anime também todas aquelas que estão pensando em engravidar mas estão longe do peso ideal!!!

 

 

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