Educar: o trabalho mais difícil do mundo!

Categorias: Prosa de mãe, Reflexões

Ano passado circulou na web um vídeo chamado World’s Toughest Job (O trabalho mais difícil do mundo), onde simulavam a entrevista para um emprego onde os candidatos deveriam trabalhar sem parar, sem intervalos por 24h, 7 dias na semana, precisariam mediar conflitos, trabalhar em pé, entender de culinária, medicina e por aí vai…. enfim, o trabalho era ser mãe! O vídeo é fantástico, e de fato todo esse trabalho incessante é mesmo exaustivo e difícil, mas na real, mais do que levantar a noite para a amamentar, dar comida, cuidar de filho doente, botar pra dormir, etc, difícil mesmo é educar!!! Educar: o trabalho mais difícil do mundo!

E olha que eu estou consciente que, com o primeiro filho aos 3 anos, minha jornada está apenas começando! E tudo complica a medida que o entendimento dos pequenos aumenta, é quando começam a se expressar e a confrontar (e questionar, argumentar… tudo que ainda vem por aí)… Aqui isso só começou de fato há poucos meses, antes podiam acontecer uma birra ou outra, mais ligada a frustração do que ao enfrentamento por si só, eu não achava tão complicado lidar com elas. Mas de repente aquele menino que sempre foi levado mas era obediente e pacífico começou a negar ordens, bater, jogar coisas, gritar… socorro! Isso fatalmente te faz se questionar como mãe, questionar seus métodos, e se perguntar: meu Deus, o que eu estou fazendo de errado? Até que ponto é só fase, e até que ponto preciso interfirir antes que a fase vire um comportamento adquirido. Esse é o meu momento…

Educar: o trabalho mais difícil

Imagem: amanda tipton / creative commons

Em matéria de educação, procuro usar mais meus instintos do que teorias, e na base dos erros e acertos do dia a dia, às vezes troco de tática, mudo uma ou outra forma de me comunicar com ele, mas cada vez mais percebo que valores como amor, clareza, firmeza e paciência, muita paciência são fundamentais sempre! Por conta dessa fase complicada tenho lido e refletido muito sobre isso… não curto rótulos, nem receitas prontas, mas embora me sinta incapaz de seguir estritamente qualquer método, leio sobre todos, de Pamela Druckerman (autora do bestseller Crianças francesas não fazem manha) e supernanny à criação com apego e disciplina positiva. Tenho lá minha preferências, mas acho que de tudo se filtra alguma coisa, a medida certa cabe a cada família encontrar a sua!

Acho que a criação à moda francesa como vem sendo chamada muito se assemelha à antiga moda brasileira, ao modo como eu fui criada, o que faz bastante sentido se pensarmos que há décadas atrás sofríamos mais a influência da cultura européia e hoje estamos muito mais próximos da cultura americana. Ao contrário de muita gente não sinto que tudo que nossos pais faziam estava errado, mas apesar de simpatizar com a linha dura não ignoro o fato de que o mundo mudou, outra velocidade, outros estímulos, além do que, não somos franceses, temos outra cultura. Então embora seja adepta de alguns valores, como a disciplina, rotina, regras…. me incomoda o distanciamento. Eu não tenho, e nem pretendo, ter com o meu filho o distanciamento e o desapego que o livro denota.

Aqui, Pedro é prioridade sim, escolhemos restaurantes, programas e lugares que sejam ambiente para ele, que o incluam, e principalmente que o divirtam. Se não é lugar pra ele espero as raras ocasiões em que saímos sem ele. No meu tempo livre, sempre que possível, ele é o meu foco de atenção, sim! Talvez por causa disso ele seja um pouco impaciente quando é preciso esperar pela a atenção, mas afinal, ele passa cerca de 10h por dia numa creche, então quem não sabe esperar aqui?! Sim, as nossas crianças são muito mais tuteladas por nós do que nós fomos por nossos pais, mas quem tem coragem de tirar os olhos dos filhos no mundo de hoje? Não sei se há mais perigos ou mais informação, mas eu não arrisco! Nossos filhos são mais mimados? Sim, tem muito mais brinquedos, mais atividades, assistem mais televisão, mas e a oferta de tudo isso não é muito maior? no meu tempo desenho na tv era só em programa infantil, hoje tenho pelo menos uns 10 canais infantis disponíveis… E nós não temos muito mais roupas, apetrechos tecnológicos e carimbos no passaporte, do que nossos pais tinham?! Quem é mimado afinal? Todos somos, mas os parâmetros são outros.

E se o mundo mudou tanto, com todo esse aprendizado e conhecimento adquirido nada mais justo do que nos atualizarmos, acho que as novas metodologias tem seus méritos e seus pontos. Nossas crianças são criadas em um mundo interativo, serão exigidas e medidas pela pro-atividade e pelas habilidades emocionais. Não dá pra esperar, e nem é bom, que sejam passivas e oprimidas (não que eu acho que nós somos, mas talvez alguns sim). Precisam de amor e aconchego, precisam ser compreendidas para crescer auto-confiantes. Mas confesso, sinto um certo exagero no discurso. Não devemos vilanizar os pequenos, mas nem tampouco vitimizá-los. Eu sou dura, eu digo não, eu cobro, eu exijo, quando acho necessário aplico “castigos”, por vezes passo do ponto, grito, e sei que não deveria (simplesmente porque não funciona), mas afinal eu também estou aprendendo, e não me sinto nenhuma carrasca cruel por tudo isso. Criança faz manha sim, até as francesas fazem, e tem birra pra ser contida com aconchego, birra pra ignorar e birra pra dar um basta. Compreendo que meu filho aja pela raiva ou frustração, jogando as coisas ou batendo, mas seus atos tem consequências e não vejo outra forma de fazê-lo aprender a se controlar que não lidando com elas. Então, se meu filho jogou o tablet no chão, ele não poderá usar mais o tablet ou o celular até que aprenda a se controlar, e não é uma punição pura e simples é a constatação de que ele não está pronto pra isso e precisamos esperar.

Não sei se esse post está levando a algum lugar, mas colocar meus pensamentos no papel ajuda, e sigo com minha dúvidas…. quero disciplinar sem oprimir, lhe permitir escolhas sem ser refém delas, lhe dar raízes e asas. Sigo acreditando que ele aprenderá pelo exemplo (como é difícil ser sempre o melhor exemplo!), que depois de repetir mil vezes ele assimilará, às vezes pela conversa, às vezes pela imposição (Sim! Porque não acho que autoridade seja de todo ruim, lidamos com isso ao longo da vida!), mas sempre firme, se não pode não pode, não pode hoje nem amanhã, nem depois… e como é tentador relaxar naquela hora que você está concentrado em outra coisa. Sigo certa de que ele aprenderá não só pelo diálogo, mas também, e principalmente pelos limites, e este precisam ser claros e explicados repetidas vezes. Não se trata de adestramento, nem quero um robô, ele é criança e tem espaço para ser, quero ele moleque, saudável, gaiato, sapeca até o meu olhar ou a minha gargalhada (porque quem se segura às vezes?!), mas precisa saber que regras existem e algumas são inegociáveis, e principalmente antes de tudo respeitar o espaço do outro, a começar pelo pai e por mim.

Dou a ele tempo para entender, não espero que se eduque no primeiro não e nem na primeira conversa, por isso peço sempre mais paciência, muita paciência que às vezes se esgota por outras frentes (trabalho, casa, marido…), não o culpo (racionalmente não, ou tento pelo menos) . Flexibilizo limites, escolho batalhas, por vezes percebo que mais do que aumentar o controle é preciso suprir com atenção. Não é questão de tratá-lo como adulto, mas tento não minimizar seu entendimento e nem maximizar seus dramas, sem subestimá-lo. É como andar em um corda bamba, difícil viver encontrando o equilíbrio….. Educar é o trabalho mais difícil do mundo!

 

 

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