Sobre a vontade de ter um filho… ou outro filho

Categorias: Prosa de mãe, Reflexões

Eu sempre quis ser mãe….. ser mãe um dia, uma vontade futura, planos de ser mãe, sonhar ser mãe…. Muitas de nós nutrimos essa vontade ao longo da vida, para a maioria é o caminho natural, algumas sonham, planejam, e outras não pensam sobre, mas sabem que um dia vão pensar. Mas e aí, como é quando essa hora chega?! Como a vontade surge? Como saber que está na hora?

Para mim foi tudo tão claro…. Eu sempre gostei de bebês e crianças, embora isso por si só não queira dizer muita coisa sobre querer ser mãe, mas então um dia eu casei e ele também era louco por crianças, e por filhos…. Quando casamos já morávamos juntos há quase dois anos, já tínhamos 30, e a vontade crescia como tinha que ser… não demorou, simples assim! Mas é só isso?! Não.  É bem mais que isso, é algo biológico e muitas vezes ilógico. É um desejo quase visceral, não sei o que dispara o alarme, seria a idade? O tal relógio biológico, é só hormonal? É psicológico? Não sei! Um belo dia fui visitar um sobrinho na maternidade, àquela altura já era o 5o, mas pela primeira vez tive coragem de pegá-lo no colo ainda tão pequenino e mais, tive vontade de voltar pra casa com ele nos braços (ainda que não tivesse a mais vaga idéia do que significasse voltar pra casa com um filho nos braços!). Eu sabia reconhecer o que estava acontecendo comigo, eu observei de perto essa transformação no olhar de uma mulher quando vê um bebê algumas vezes… eu vi acontecer com minha irmã, cunhada, prima e amigas, algumas antes da gravidez e outras só depois da maternidade, mas todas exibiram o mesmo brilho.

A questão é que o puro e simples desejo de engravidar nem sempre é imediatamente realizado, seja porque as tentativas falham ou ainda porque nem se pode tentar, às vezes o momento profissional não é favorável, ou não se tem um parceiro, se está acima do peso, financeiramente não é a hora, é preciso mudar de apartamento, enfim muitas e muitas circunstâncias podem adiar a chegada de um filho e enquanto isso, cabeça e corpo piram. Eu não tive dificuldades para engravidar, Pedro nasceu da primeira e única tentativa, mas eu já queria tentar há alguns meses o que por si só já me rendeu tamanha expectativa que fiz o teste antes do atraso, eu tinha certeza que estava grávida, mas o laboratório não ficou tão certo, refizeram o exame duas vezes antes de me dar o resultado com 6 horas de atraso, também pudera, 55mUI/ml (devidamente repetido uma semana depois)! Que agonia! Imagino a angústia de quem passa por isso por vários meses.

Sabe quando você quer trocar de carro e a toda hora cruzam a sua frente carros no modelo que está pensando em comprar?! Pois é, mulheres que querem engravidar enxergam barrigas por onde quer que passam. Uma amiga me contou, totalmente consciente da sua paranóia, que a cada conhecida que engravidava ela pensava que as chances dela diminuíam, era como se estivessem se esgotando as vagas abertas para aquela função, eu pessoalmente acho que o simples fato de receber uma notícia que você está na expectativa de dar, ou que pelo menos você gostaria de estar, já é frustrante, é como se você estivesse ficando pra trás, ainda que não exista nenhuma linha de chegada. Mas isso é tudo coisa da nossa cabeça?! Pode ser, mas o corpo sente. A cada menstruação, independente da real possibilidade de gravidez, o corpo mostra sua dor, o sentimento de frustração é inconsciente, a vontade é dormir, ficar quieta, fazer silêncio.

Engana-se quem pensa que é diferente no segundo filho. Não é! Talvez seja até mais forte, a gente sente com conhecimento de causa. Gerar um filho é uma dádiva, e saber esperar por ela um aprendizado. É a vida nos ensinando a ser paciente, a saber ponderar, a dosar a emoção e a razão, nos forçando ao auto-conhecimento, é a vida nos preparando para a maternidade.

 

 

1 comentário

Deixe seu comentário!