Sobre maternidade e vaidade

Categorias: Prosa de mãe, Reflexões

Eu nunca fui, mesmo antes da maternidade, nem de longe o melhor exemplo de vaidade feminina, por isso para escrever esse post, mais do que falar de mim mesma, observei um pouco as mulheres a minha volta.

Salvo raríssimas exceções, todas relaxam nos seus padrões de vaidade. E não falo só dos primeiros e caóticos meses não, aqueles em que não dá tempo nem de fazer as unhas, os cabelos vivem presos, a roupa suja de leite… Não, eu falo dos anos que se seguem, os primeiros anos dos nossos filhos. Quase todas as mulheres parecem usufruir de uma espécie de licença poética da moda… Os saltos são substituídos pelas rasteiras, as bolsas pelas mochilas, bem mais praticas para carregar a tralha toda.. E por aí vai! Tudo bem que aquele vestidinho curto ficaria muito melhor com aquela sandália alta, mas a liberdade de movimentos que uma legging e uma sapatilha proporcionam não tem preço! O conforto em primeiro lugar. Mesmo não sendo lá muito ligada em moda, eu amo bolsas, sempre usei várias, as trocava de acordo com a roupa, agora em nome da pressa e da facilidade, uso a mesma preta básica todo santo dia, sendo ou não a melhor das combinações. Quantas de nós não se permitem uma semana sem fazer as unhas, a atrasar a depilação  ou até, para as que atingem um nível avançado de desapego como eu, uns cabelos brancos por pintar ou com a escova progressiva por renovar? É como se nós pudéssemos, afinal somos mães!

Não sei se é só a falta de tempo e o excesso de cansaço, mas acho que é um pouco porque tudo muda de valor, de importância, por que colocamos os filhos à frente de nós mesmas. Ficamos mais vaidosas dos feitos de nossa cria, do nosso papel de mãe do que da aparência pura e simples. É mais importante ser feliz e vê-los felizes do que estar linda. Isso mexe até com nossos pudores e vergonhas. Dia desses em um grupo que frequento uma mãe relatava que estava de biquíni pronta pra descer pra piscina com os filhos, mas estava com vergonha do seu corpo fora de forma…. Ah como eu reconheço este sentimento, se reconheço, mas não tive dúvidas ao dizer a ela que fosse logo aproveitar o dia com seus pequenos, e é exatamente o que eu faria e faço! Tudo em nome da diversão e do bem estar deles, já abri mão da minha diversão por vezes demais, mas eu não abriria mão de um momento assim com Pedro por vergonha ou vaidade alguma, troco o biquíni pelo maiô é verdade, mas não perco o programa. Lembro do meu pânico quando na primeira festinha infantil que fui com Pedro precisei tirar as sapatilhas para entrar com ele na área Baby… Àquela altura, Pedro com uns 7 meses, nem me lembrava há quanto tempo meus pés não viam uma pedicure… Hahahah… Essa lição eu aprendi. Passei a ser mais cuidadosa com eles 🙂

Mais curioso do que a licença de vaidade materna, é o fenômeno que rola mais tarde, geralmente depois do segundo filho, quando lá pelos 40 a mulher começa a rearrumar a casa…decidida a não engravidar mais, com os filhos já menos dependentes ela finalmente encontra na agenda do dia a dia um tempo pra se dedicar a si mesma. Hora de investir nas atividades físicas, nos tratamentos estéticos, as mais exigentes aproveitam pra fazer aquela plástica que sonharam por anos.. Eu diria que é o estado avançado do tempo de cura (aquele sobre o qual já falei aqui) é o definitivo reencontro consigo mesma, com suas vontades e com seu corpo, ainda que nunca mais sejamos as mesmas. Eu ainda não cheguei lá, mas começo a achar que assim como aos 30 eu me sentia muito melhor do que aos 20, os 40 não ficarão atrás. Vejo a minha volta mães correndo maratonas, comemorando os quilinhos a menos e as roupas tamanho menor, recuperando sua auto estima, mais interessantes, seguras e lindas do que nunca! E viva as transformações que a maternidade proporciona e as licenças que nos permitimos em nome dela!!!

Deixe seu comentário!