Dei ao meu bebê todo o colo que ele merecia?

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Hoje muito se fala sobre as necessidades do bebê, a importância do colo, do aconchego, do amor. Isso é incontestável, ok! Mas quanto colo o seu bebê precisa? Será que eu dei ao meu bebê todo o colo suficiente?

dei ao meu bebê todo o colo

Imagem: Tomas Hellberg / Creative Commons

Quando Pedro nasceu eu não lia tanto quanto hoje, eu não tinha ainda o arsenal de informações que disponho hoje. Eu, como a maioria das mães de primeira viagem usei meus instintos e os exemplos que tive ao longo da vida. Confesso, às vezes bate a dúvida se fui muito dura com ele, rígida na rotina, na ânsia de educá-lo desde muito cedo, talvez gostasse de ter lhe dado um pouco mais de colo, tê-lo ninado mais. Sem qualquer relação com o famigerado “ele vai ficar mal acostumado”, mas em prol de outros estímulos, de adaptá-lo ao berço, de dar-lhe o mínimo de independência o colo não era tão ilimitado quanto hoje se prega e como cabeça de mãe vive a se perguntar se está fazendo a coisa certa às vezes me bate essa crise…. dei colo suficiente?  Mas olho pra ele hoje, analiso a intensidade do vínculo que há entre nós, e não tenho dúvidas, eu atendi às suas demandas não só de afeto mas de espaço, talvez a lacuna tenha ficado para mim, já que passa tão rápido, eu poderia ter aproveitado mais, mas ele sem dúvida recebeu a atenção na medida das suas necessidades, não das minhas ou das convenções estabelecidas pelos textos que li ou pelas opiniões alheias.

E digo isso porque acredito que o amor e o afeto não são mensurados apenas pelo contato físico. Embora seja irrefutável que bebês precisam de aconchego, em especial quando recém-nascidos, não me arrependo de ter dado também ao Pedro espaço e oportunidade para explorar outras necessidades. Não me arrependo de não ter lhe imposto mais do que ele pedia por excesso de zelo ou por satisfazer as minhas necessidades de afeto.

Pedro não era um bebê muito apegado, mais do que o contato físico, os estímulos que o acalmavam eram os visuais e sonoros, ele precisava de cia, precisava me ver e me ouvir, mas ele gostava de espaço, gostava de apreciar o movimento das folhas nas árvores deitado em seu carrinho, do vento nas cortinas, dos bichinhos no mobile, gostava de ficar solto, de explorar os movimentos, os objetos, tudo isso desde muito pequeno. Pergunto se por que eu o criei assim ou se porque era o seu natural…. Acredito que um pouco dos dois!

De toda a forma não lamento que com o passar do tempo algumas vezes tenha escutado seu choro, ainda que só até esgotar outras as possibilidades antes de lhe oferecer o colo, e por muitas vezes não era mesmo o colo que lhe faltava, não me culpo por tê-lo deixado no berço, na cadeirinha, no carrinho, não me arrependo de tê-lo permitido se irritar com que era inevitável, como troca de fraldas e roupas, ou sentir calor antes que o ar gelasse o carro, … E por aí vai…. Não lamento que tenha se frustrado ou esperado um pouco até que eu pudesse atendê-lo. Nos primeiros meses de vida o ninho pode parecer o certo e o seguro, e deve estar ali, acessível, mas nossos filhos precisam aprender a voar. Então, que demos a eles oportunidades de querer ainda mais que o nosso amor, de explorar o chão, rolar no berço, rastejar até um brinquedo, tentar pegar aquilo que está lá pendurado, de interagir mais que observar.

Dúvidas sempre existirão, com o próximo filho eu certamente farei algo diferente, principalmente porque ele será diferente, pode ser que ele goste e precise mais de colo, de peito, de aconchego, mas com certeza receberá o mesmo amor, e também o meu melhor. Pretendo observá-lo, porque cada filho é único. Dar a ele o colo e a liberdade na medida em que ele solicite, porque o amor é de qualquer forma imensurável! E sim, um pouquinho mais de colo, porque agora eu sei…. passa tão rápido!

 

1 comentário

  1. Fe, super de acordo! Arrisco até dizer que “ainda bem que não lemos e estudamos” tantas coisas sobre maternagem e fomos instintivas! Você ofereceu ao Pedro o que ele pedia, que era aprender, crescer, evoluir. E até mesmo na frustração de não conseguir algo ou o fato de ter que esperar ser atendido é um aprendizado para ele!

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