Que mãe sou eu nesta nova maternagem?

Categorias: Prosa de mãe, Reflexões

Navegando pelas redes sociais, em especial pelos grupos maternos, você às vezes se sente um peixe fora d’água?! Porque eu me sinto, e como me sinto! É tanta regra, tanta máxima que me parecem integrar uma cartilha da maternidade politicamente correta que se não é seguida a risca fará de você alvo de críticas e olhares tortos. Eu como mãe, não me incomodo tanto com isso, mas como alguém que se propõe escrever sobre o assunto e abrir um espaço para discuti-lo, sim!

É mais ou menos assim, toda mãe é alvo de palpites e críticas, seja qual for seu posicionamento sobre qualquer assunto, mas o que tem me incomodado bastante neste mundo virtual materno é o radicalismo do discurso, e por vezes, me sinto na contramão da corrente, sabe?! Na ânsia em derrubar alguns paradigmas do passado, a galera está exagerando no sentido oposto, difundindo verdades absolutas quase sempre contrapondo algum “conselho da vovó”. Mas calma lá pessoal, não levem tudo tão ao pé da letra! Quando aquela tia te disse que colo vicia, talvez ela tenha escolhido mal as palavras, mas ela não quis dizer que você não pode pegar seu filho nunca ou que amor demais é mimo, ok?! Ela só está dizendo que você pode oferecer outras oportunidades a ele, e que talvez um bebê que só conheça o colo, se sinta inseguro quando se encontre em outra realidade.

Esse foi apenas um exemplo, mas o pior de tudo é classificar as mães segundo sua forma de maternar e dividi-las como se houvesse apenas duas possibilidades, perpetuando esta discussão num eterno fla x flu materno como se ninguém pudesse ser  vasco, botafogo ou américa…. E aí que eu me sinto o peixe fora d`água porque meu filho dormiu em seu berço desde o primeiro mês de vida, mas no meu quarto até o sexto. Eu dei chupeta, eu dou danoninho, mas tratei suas cólicas com compressas quentes e seus resfriados com soro fisiológico, tudo para evitar remédios. Não sou adepta da cama compartilhada, mas aos 3a6m ainda não consegui dormir uma noite longe dele. Fui incapaz de deixá-lo aos cuidados de terceiros (que não as avós) antes dos 2 anos, mas não morro de pena quando ele precisa tomar um vacina. Nunca consegui carregá-lo num sling, canguru ou coisa do gênero, mas passamos horas sentados no chão brincando de massinha, quebra-cabeça ou lego. Gostei muito do livro da Pamela Druckerman (autora de Crianças francesas não fazem manha), mas não curto o tal cantinho do pensamento da Supernanny. E mesmo achando o discurso da criação com apego um pouco açucarado, me pego aplicando estratégias da disciplina positiva no dia a dia. Fiz cesarea, mas defendo a opção pelo parto normal quase que incondicionalmente. Pararia de trabalhar para ficar com meu filho, mas não me culpo e nem tampouco tenho pena dele por que não pude parar até agora. Como disse minha parceira Amanda Gusmão do Uni Duni Kids (leia aqui) sou um pouco Dona Herminia e um pouco Dona Nenê…. e um outro tanto de Lorelai, do Gilmore Girl (tô velha! a série nem existe mais e eu ainda uso de referência!).

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Enfim, eu não estou de um lado nem do outro, e acredito que você também não! Isso aqui não é novela das nove onde os personagens se dividem em mocinhos e vilões. Somos todas mães, tentando acertar, conseguindo, falhando, fazendo escolhas, algumas mais conservadoras, outras nem tanto, educando seus filhos cada uma a seu modo, então se muitas vezes você perceber que não cumpre este suposto manual da maternidade perfeita, bem vinda ao clube, não se sinta a Cruela ou a Malévola, ok?!

Quando você vê uma mãe sendo enérgica com seu filho na rua, ou até perdendo um pouco o controle, não quer dizer que ela haja sempre assim, que ela bata nele ou que nunca converse. Se uma mãe por ventura deixou seu bebê chorar, ou mandou engolir o choro, ela não é cruel, a terceirização sim é cruel, mas mães que delegam seus filhos além da conta dificilmente são pegas no flagra cometendo deslizes…. somos nós mães comuns que somos passíveis de errar, de adotar uma ou outra conduta que supostamente mereça julgamento. De qualquer forma, não é uma escolha que define a mãe que somos! Até entendo o posicionamento radical quando a idéia é mudar o inconsciente coletivo, como nas discussões sobre parto, amamentação…. mas no individual, no caso a caso, mais amor por favor!

 

 

 

 

3 comentários

  1. Patrícia comentou:

    Por causa desses radicalismos, pouco a pouco, vou saindo de grupos maternos no FB. Li bastante já, de resto seguirei minha intuição.

  2. Concordo demais, Fe! É como se tivéssemos que nos apresentar em um grupo dizendo “oi, eu sou Amanda, fiz duas cesáreas, amamentei e complementei, sou a favor da maternidade com apego e da cama compartilhada. Sou contra bicos, cantinho do pensamento e etc…”. Essa realidade de grupos do Facebook e blogs maternos criou uma necessidade de criar um CURRÍCULO MATERNO, como se estivéssemos pleiteando uma vaga no seleto grupo das “mães perfeitas”. Obrigada por me citar num texto que me representa/descreve tão bem como foi este texto seu!

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