O dia em que meu príncipe virou um cavaleiro!

Categorias: Prosa de mãe, Reflexões, Relatos de experiência

Nenhuma mãe, ainda que desencanada, quer ver seu filho se machucar….. aliás pais não deviam precisar passar por isso, filho não devia ficar doente, não devia sofrer nunca, certo?! Errado! Todo mundo precisa passar por tombos na vida, filhos ficam doentes e filhos se machucam, por mais zelosa que uma mãe possa ser,  algumas até superprotetoras, não importa, os filhos tropeçam, se desequilibram, escorregam, caem da bicicleta, do trepa trepa ou do cavalo, trombam com os amigos, são atingidos por bolas, balanços, e às vezes, meio que por capricho do destino, são derrubados por nós mesmos … acidentes simplesmente acontecem! Crianças se machucam o tempo todo, meninos então….

Quiséramos nós que todos os acidentes se resumissem a ralados, cortes e escoriações facilmente curáveis com um “beijinho de mãe que sara” ou com o famoso “que arde e cura”, mas os traumas por vezes se complicam, levam tempo pra curar, dor, deixam cicatrizes neles e marcas em nós. Consequências de cenas tão rápidas mas que em nossas mentes se repetem seguidas vezes e levam muito tempo para serem esquecidas. Foi tudo tão de repente, um segundo que você desviou os olhos, e se você tivesse visto antes, e se tivesse dado tempo de chegar, de segurar, de evitar…. mas já foi, já aconteceu…. Culpa? Provavelmente de ninguém, mas você vai carregá-la como se fosse sua, sempre! Mesmo que racionalmente saiba que não é!

Imagem: Mike o Cavaleiro / Discovery Kids

Imagem: Mike o Cavaleiro / Discovery Kids

Semana passada Pedro se machucou pela primeira vez com maior gravidade, e depois de ser atendido na emergência do hospital, de ter deixado que limpassem o sangue do seu rostinho, que examinassem os cortes em sua boca, sem chorar e nem reclamar, a médica lhe disse “você é um príncipe!” e ele prontamente a respondeu: “não, eu sou um cavaleiro!”!

E quanto significado esta frase carrega! Ele foi mesmo bravo como um cavaleiro, não só ali, mas nas consultas, exames e dias que se seguiram e eu, em meio a toda a frustração, senti orgulho de estar criando um cavaleiro e não um príncipe.

A vida é mesmo cheia de batalhas, e nossos filhos se machucarão física e emocionalmente diversas vezes a despeito do que possamos fazer, enquanto pequenos podemos estar no comando, mas ainda assim não temos o controle…. as quedas e suas possíveis sequelas, fazem parte da sua história, que começa a ser escrita por eles desde já e poderá ser no máximo colorida por nós, mas nunca apagada ou corrigida. E quando crescerem então, serão tentativas frustradas, romances acabados, passos mal dados, ainda que orientados por nós as escolhas serão deles e os erros e acertos também. Cabe a nós criá-los fortes e bravos como cavaleiros, que não fogem a luta, enfrentam os problemas, caem e se levantam! E que sejam mesmo crianças destemidas e corajosas, que corram, brinquem, experimentem, se sujem, se machuquem e continuem brincando, fantasiando, sonhando e sorrindo, porque a vida mais tarde será mais leve, se não for encarada não muito diferente disso.

E assim, o tombo que mudara seu sorriso meu filho, mudou também o meu olhar. Se vou lembrar sempre do seu rostinho minutos antes do incidente, como se a vida fosse filme e pudesse voltar num flashback, também nunca esquecerei da gargalhada escancarada no dia seguinte de para quem nada aconteceu, do brilho dos seus olhos que só aumentou e das lições que você tão pequeno, já nos ensinou. Por fim, tudo se cicatrizou, e nada mudou, só eu, meu cavaleiro!

 

 

2 comentários

  1. Que lindo! Então quer dizer que temos um filho poeta como a mãe??!?!?! Eles sempre fazem isso com a gente! Vai ficar tudo bem!!! Beijooo

  2. - Anônimo

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