Sobre o “tempo de cura” no segundo filho! – dia 41

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Quarenta e um dias! Há tempos atrás escrevi um texto (leia aqui) sobre o que eu chamei de tempo de cura, ou seja o tempo que eu levei para me reencontrar após ser mãe, tempo que levei para perder o senso de urgência em voltar pra casa, para conseguir fazer compras num mercado com calma, ler rótulos, comparar preços… Nesse texto também, eu reforço que trata-se da minha experiência com o primeiro filho, e que eu não sabia, ainda, como seria com o segundo. Pois então, agora eu sei, e acho que mesmo que ainda com 41 dias, posso dizer que é bem diferente.
Hoje saí para comprar umas coisas poucas que faltavam na dispensa e geladeira, na era nada tão urgente, antes de voltar a trabalhar Ricardo fez compras de mês, mas com minha mãe aqui não é difícil dar um pulinho no mercado entre uma mamada e outra, e eu não vi porque não fazê-lo. Mas com certeza não o teria feito com Pedro, lembro que quando ele nasceu não estávamos tão preparados, não tinha comida em casa, ninguém tinha tempo ou forças pra cozinhar e alguns dias comíamos no restaurante a quilo embaixo de casa. Ricardo sempre sugeria que eu descesse pra comer rapidinho e eu nunca quis, sempre pedia que ele fizesse meu prato. As poucas vezes que saí sem Pedro, uma logo nos primeiros dias pra ir ao hospital ser examinada pela minha obstetra já que não me sentia nada bem, e outras entre um e dois meses pra ver apartamento, todas as vezes me sentia muito estranha como se faltasse um pedaço.
Hoje foi a segunda vez que saí sem Laura, semana passada fui ao posto de atendimento do plano de saúde dar entrada no reembolso do parto, por sorte fica no mesmo quarteirão de casa e era também uma saída rápida. E a sensação foi completamente diferente, foi tudo tão natural! Eu diria até que cheguei a desfrutar um pouco da sensação de liberdade. Hoje no mercado me dei conta de que o celular havia desligado sem bateria, confesso que fiquei um pouco aflita, dei uma acelerada nas compras e corri pro caixa, mas no primeiro filho eu teria largado tudo e corrido para casa.
Não se trata de menos amor ou apego, mas sim de ter encontrado o equilíbrio, de ter aprendido a ir e vir, de saber que o amor não se mede pelo apego.

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