100 Primeiros dias: décima primeira semana

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Para quem chegou aqui agora, esse é o diário dos 100 primeiros dias de um bebê, a Laurinha, minha segunda filha. Aqui em relatos diários conto as emoções e os desafios de ser mãe de um bebê e uma criança de 5 anos, vem acompanhar a décima primeira semana dessa jornada!


Dia 71 (quinta-feira, 14 de julho)

Setenta e um dias! Semana puxada, intensa, conturbada. Embora aos dois meses as coisas estejam muito mais controladas do que no primeiro mês, a inconstância de Laura ainda me cansa demais.

Pode ser uma limitação minha, talvez Pedro seja afinal mais parecido comigo do que eu pensava, nesta coisa de gostar de ordem, de regra. Embora eu tenha sido uma bagunceira de marca maior a vida toda, e como boa geminiana tenha na versatilidade uma das minhas características, eu aprendi com a idade a gostar das coisas nos seus devidos lugares, e de uma boa rotina.

Quando as coisas parecem começar a mostrar algum padrão, como por exemplo aquela hora da soneca mais longa, a hora de acordar, a hora de dormir e até o tanto que chora… Passa uns dias e muda tudo de novo. Se antes eu tinha de certo um momento de tranquilidade por volta das seis da tarde, aproveitava e tomava um café com calma, via minha novela, enquanto ela dormia e antes que Pedro chegasse da escola. Agora, há dias que isso é raro!

É assim nem chego à conclusão do que funciona melhor. No princípio achei que essa soneca mais longa no fim da tarde era resultado do banho, até pensei em antecipar essa rotina pra quem sabe interferir na hora que ela dorme à noite. Depois achei que por um lado estava bom assim porque podia dar atenção ao Pedro quando chegava, dar jantar, etc. E de fato as noites andavam mais tranquilas ainda que depois ela só dormisse meia noite. Essa semana ela tem dormido mais pela manhã, quando minha mãe chega cedo e posso dormir um pouco mais até ajuda, mas, as noites são mais complicadas que as manhãs então prefiria que ela dormisse a noite mesmo. Como se eu tivesse escolha né!


Dia 72

72 dias e hoje reparei que meu texto de ontem foi meio repeteco de sei lá quantos dias atrás. Bom, é verdade que nessa fase os sentimentos meio que vão e voltam, mas acho que foi um pouco de sequela minha, que a essa altura a gente já vê por aqui.

Isso mesmo, sequelada, é como me sinto às vezes. Nessa fase rola uma dificuldade de gravar informações, de acompanhar certos raciocínios, arrisco dizer que a gente fica até meio burra (risos). Sei lá se é só a privação do sono ou se tem outra razão, mas aconteceu comigo no primeiro filho e agora se repete.

Não sei como tem gente que consegue voltar ao trabalho aos dois meses, admiro! Porque eu a essa altura seria uma negação no trabalho, a cabeça só dá conta de lembrar que horas mamou a última vez, quantas vezes encheu a fralda e olhe lá… Isso sem contar claro, de checar e assinar a agenda do mais velho, colocar a roupa do futebol na mochila e etc….


Dia 73

Dia 73, já são 73 dias em casa! Embora licença maternidade não tenha nada de férias, pelo contrário, há muito a fazer, mas sendo bem sincera, eu tento aproveitar um pouquinho as coisas boas de estar em casa e eu amo isso!

E das coisas que eu amo em ficar em casa:

  • Ouvir música! Desde que passei a trabalhar muito perto de casa eu não tinha mais espaço pra música no meu dia a dia, e faz falta;
  • Tomar café à tarde assistindo TV;
  • Aproveitar a varanda de casa. No dia a dia eu mal chegava na varanda a não ser pra estender e recolher a roupa do varal;
  • Acordar e deitar no sofá ainda de pijamas com Pedro assistindo desenho;
  • Ver coisas na TV que eu nunca veria como os jogos de futebol da euro, jogos de vôlei da liga e, já mal posso esperar, os jogos olímpicos!

Dentre outras! Porque com todas as dificuldades de se ter um bebê em casa, essa vida de casa, com filhos é boa demais!


Dia 74

74 dias, e embora a hora não seja de ter certeza de nada, pela primeira vez na vida, de repente a vontade de ter outro filho se foi. Não que eu pretendesse de fato ter um terceiro filho, há muito tempo sei que provavelmente não aconteceria, precisaria de mais dinheiro e ainda que eu ganhasse dinheiro não seria a tempo, tinha que ter começado antes de qualquer forma. Mas até então era uma decisão unicamente racional, sempre desejei ter três.

Estou falando da vontade genuína de ter outro bebê. É que ao mesmo tempo que curto Laura com uma certa nostalgia de quem está vivendo estes momentos pela última vez, eu também sei, com conhecimento de causa, que fases maravilhosas estão por vir. E mesmo com toda a saudade que dá deles pequenos, já espero aquele dia em que estarão maiores e menos dependentes, e faremos passeios todos juntos, mas também separados. Aquele dia em que nós, lá pelos quarenta, voltaremos a desfrutar alguma liberdade.

Há um certo conforto em planejar a vida sabendo que não haverão mais recomeços, há um quê de alívio em saber que meu corpo não voltará a se transformar para abrigar um bebê, há um ar de realização em enfim sentir que a família está completa!


Dia 75

Dia 75! Um dia pra se repetir 1000 vezes! Sabe quando as segundas feiras são tristes, bate desanimo, hora de voltar à rotina, ao trabalho que não te realiza, deixar o filho em casa? Pois é, eu já vivi esse tempo, mas não vivo mais!

Pra quem tem a vida que deseja, as segundas são dias alegres e cheios de ânimo, são sempre uma nova chance de recomeçar, de colocar em prática velhos planos. E hoje o dia foi assim, Laurinha tranquila, risonha e calma, mamãe teve tempo de fazer as coisas de casa e até de trabalhar um pouquinho.

Não há como ter um bebê em casa, e não pensar em recomeço, não fazer novos planos…. É a vida começando ali diante dos seus olhos e isso por si só te inspira a recomeçar, seja como for. Pode ser um novo projeto profissional, pode ser um novo estilo de vida, uma nova atividade física, cuidar da saúde, um novo hábito, uma nova fé, uma vontade de ser melhor, seja o que for, um filho sempre nos inspira a se reinventar.


Dia 76

Setenta e seis dias! Quando a gente decide ter um filho ninguém vem e pergunta: “com emoção ou sem emoção?!” Não. Não existe essa opção! Na verdade nosso poder de decisão meio que se resume a escolher ser mãe, a partir daí pouca coisa é de fato escolha nossa.

E como não há zona de conforto em ser mãe de um bebê, quando tudo parece mais ajustado, você já sabe qual a posição ajuda na cólica, já pegou a manha pra fazer o bebê dar aquele arroto que alivia, já sabe quando é fome quando é sono e até quando é só fralda suja… Então, uma noite sem mais nem menos seu bebê volta a chorar como no primeiro mês, o peito não resolve, o arroto não resolve, nada resolve…. Só depois de muito tempo no colo ele acalma. E afinal não era nada, era só o seu bebê te dando um alerta, tipo “ei! Eu só tenho dois meses e meio, ainda vou precisar muito de você, viu”!

É isso, respira fundo, abraça, cheira o cangote, deixa a bochecha roçar na cabecinha macia como um pêssego e dá beijinho, porque sem emoção não tem graça!


Dia 77

Dia 77! Passam os dias e eu mãe de segunda viagem não nego, tiro algumas coisas mais de letra outras nem tanto, mas sair de casa de carro com filho pequeno é uma maratona e com certeza, uma das coisas que não melhora no segundo, pelo contrário, piora, porque agora são dois!

Eu juro que eu queria ser aquela mãe descolada que eu pareço ser, que carrega um filho no sling, outro pela mão, acomoda todo mundo no carro e vai. Eu não dirijo, o que já dificulta muito a vida, me entender com dois metros de pano está fora de questão e nasci com duas mãos esquerdas, operar os mecanismos simples e práticos dos carrinhos, cadeirinhas e seus cintos de segurança é tarefa árdua mesmo depois de anos de maternidade. Enfim, sair de casa com a tropa toda me cansa demais!

Hoje foi dia de médico por aqui, e onde eu vou Laura vai comigo, afinal como diz o Pedro, sou eu que tenho os “peitinhos”, como não dirijo e sou estabanada, minha mãe vai comigo, logo, Pedro vai junto porque não tem com quem ficar e assim está formada a excursão familiar para uma simples consulta obstétrica. Resultado, fico exausta!

E afinal não é só bebê recém nascido que é sensível a muito agito, nós mães de recém nascidos também somos.

 

Foto: Ashley Mcnamara

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