100 Primeiros dias: a décima segunda semana (parte 1)

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O diário dos 100 primeiros dias de um bebê, no caso Laurinha, segue em frente, e à medida que passam os dias é tanto assunto que essa semana os relatos estão longos e tive que dividir em dois posts, acompanhe aqui a primeira parte!


Dia 78 (quinta feira, 21 de julho)

78 dias! Hoje eu dei um pulo ali no mundo real e voltei! Fui rapidinho entre uma mamada e outra no prédio onde trabalho para uma sessão de fotos com toda a equipe de “Ralações Institucionais”.

O nascimento do Pedro foi um divisor de águas na minha carreira, ali eu me desconstruí de tal forma que se antes eu era uma workaholic com uma disposição e capacidade de trabalho vista em poucos, a partir dali o trabalho passou a ser para mim um fardo, e foi só mesmo o fato de trabalhar em um projeto que amo demais e com essas pessoas incríveis que tornou o fardo mais leve.

Estar lá hoje, a forma como fui recebida, o carinho, a energia, o clima de “Games time“, tudo isso me deu a sensação de que a Fernanda mãe e a Fernanda profissional finalmente fizeram as pazes. Sinto como se o nascimento do segundo filho tenha trazido de volta o equilíbrio que a chegada do primeiro levara. Primeiro filho é intensidade, segundo serenidade. Primeiro filho é tiro de 100 metros, segundo é maratona. Primeiro filho é pergunta, segundo filho é resposta!


Dia 79

Dia 79. Comecei a semana pensando que estava na hora de implementar uma rotina para dormir, já que Laura estava começando a dar menos trabalho à noite mas continuava ferrando no sono mesmo só lá pra meia noite. Um ritual pra dormir, feito sempre mais ou menos no mesmo horário seria minha tentativa de fazer com que ela dormisse mais cedo.

E aí que essa semana teve dia que dormiu sozinha na cadeirinha e nem sequer abriu o olho ao ser colocada no berço às 10 e meia da noite, teve dia que só dormiu com muito peito, outro só com muito colo, e ainda teve dia que berrou todas antes de finalmente dormir a uma da manhã ….. Enfim teve de tudo menos ritual!

Sempre soube que tinha dado sorte com Pedro nesse quesito, e mesmo Laurinha não sendo tão fácil quanto ele, sei que não posso reclamar. Mas mesmo assim toda mãe já passou poucas e boas pra fazer filho dormir e eu não sou diferente, já tivemos nossos dias por aqui tanto com um quanto com a outra, e então me lembrei de uma música do Palavra Cantada que diz “o que papai pode fazer pro neném nanar?” (Procurem, a letra é ótima!) e resolvi responder a essa pergunta:

  • passear com o carrinho pelo corredor do prédio
  • subir e descer de elevador
  • sair de carro à noite (até hoje é comum darmos mais uma volta no quarteirão na volta pra casa para ver se Pedro dorme!)
  • ligar o secador de cabelo (nebulizador também funciona, e salve os aplicativos que agora fazem isso por nós)
  • tapinha no bumbum, carinho na sobrancelha e cafuné na orelha
  • E quem nunca sentou no meio da cama com o bebê nos braços, e cochilou com ele no colo?!

E enquanto eu pensava tudo isso Laura já dormiu no peito/colo três vezes e acordou todas as vezes que coloquei no berço, e eu que achava que já tinha vencido essa etapa. Mas mesmo com o berço coladinho na minha cama parece que hoje ela quer mais! Lá vou eu tentar outra vez…. boa noite!


Dia 80

80 dias com Laura, 80 dias de peito, às vezes custo acreditar que foi tão fácil! Dois filhos duas experiências opostas e extremas com a amamentação.

Com Pedro lembro bem: ainda na maternidade, duas, três enfermeiras a cada mamada, troca plantão, muda enfermeira… “Ih ele não pega né!”, “ah você não tem bico”… E muda a posição, e pega na cabeça dele e coloca no peito, e pega no peito coloca na boca dele e nada… Quando ele mal pegava o alívio era imenso. Depois em casa, bico de silicone, e aluga bomba e liga pra consultora. E uma semana depois no pediatra…. “Ele chora de fome” “não ganhou peso” e “você não tem bico”…. E então vai no IFF (Instituto Fernandes Figueiras – banco de leite)…. “Dá o leite de colher” , “e de copinho”, “se der mamadeira não vai pegar o peito nunca mais”. E dez dias depois, visita do cunhado pediatra … “ele continua perdendo peso” “esquece o copinho” “ele não sabe projetar o queixo” “é muita novidade pra você e ele precisa ganhar peso ficar mais forte” “dá na mamadeira, é o seu leite”. E vai na fonoaudióloga, “vocês estão os dois estressados, você precisa relaxar” “troca as mamadeira pelo bico tal que imita o peito”. E o que lembro é que a cada mamada era um suplício, a medida que as tais três horas iam passando minha angústia crescia, o pânico era tanto que cheguei a passar uma semana sem oferecer o peito, e ele ganhou peso e então recomeçamos, e tirava leite com a bomba antes pra facilitar a descida, e tinha um spray de nariz, e dava um pouco na mamadeira antes pra ele acalmar … Era uma guerra, às vezes pegava, às vezes não. E a cada três horas tinha que descongelar o leite em banho maria, e dar a mamadeira, e tirava o leite com a bomba de novo e tinha que esterilizar tudo e já tava quase na hora de começar outra vez…. E fomos assim até o Natal, com quase dois meses finalmente abandonamos aquilo tudo, e ficamos só com o peito, pelos menos até os 4 meses e meio, quando entrou o complemento na história até o desmame total entre os seis e sete meses. Ufa! Sofri tanto para que ele mamasse que me permiti não sofrer com o desmame.

E então vem Laura, primeira mamada cerca de duas horas após o nascimento, diz a enfermeira “olha sem pressão, você está deitada não pode levantar ainda, ela tem reserva até amanhã, isso é uma tentativa pra ver se ela pega, se tem reflexo de sugar, se você tem colostro” e coloca ela ao meu lado na cama, e nada, e coloca a luva, dá o dedo ela suga, tira o dedo oferece o bico e pá … Ela pega de primeira… E a enfermeira diz “deixa ela aí, o tempo que ela ficar, mas se ela soltar tudo bem, é normal” e ela fica lá uma meia hora! E daí em diante nunca mais auxílio, nunca mais enfermeira, nunca mamadeira, nunca bomba! A primeira noite na maternidade inteirinha de um peito pro outro, a alegria era tamanha que nem me incomodei, eu queria curtir o momento, eu pensava “ela sabe mamar, melhor deixar aí, vai que desaprende”. E assim chegamos aos 80 dias, tudo tão simples…. é possível, pode ser fácil, pode ser natural, não é lenda! E eu que pensava “o que me difere de quem consegue?!”, hoje eu sei a resposta: “o filho”.

E não há qualquer diferença na minha ligação com um e com outro, e nem tampouco deles comigo, mas hoje eu finalmente posso entender o tal vínculo que o aleitamento cria, não se trata de mais amor, só de mais uma forma de amar, e é tão linda. Me sinto plena!

 

Imagem: Meg Bitton

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