Que mãe sou eu?

Amamentação: cada filho uma historia! – dia 80

80 dias com Laura, 80 dias de peito, às vezes custo acreditar que foi tão fácil! Dois filhos duas experiências opostas e extremas com a amamentação.

Com Pedro lembro bem: ainda na maternidade, duas, três enfermeiras a cada mamada, troca plantão, muda enfermeira… “Ih ele não pega né!”, “ah você não tem bico”… E muda a posição, e pega na cabeça dele e coloca no peito, e pega no peito coloca na boca dele e nada… Quando ele mal pegava o alívio era imenso. Depois em casa, bico de silicone, e aluga bomba e liga pra consultora. E uma semana depois no pediatra…. “Ele chora de fome” “não ganhou peso” e “você não tem bico”…. E então vai no IFF (Instituto Fernandes Figueiras – banco de leite)…. “Dá o leite de colher” , “e de copinho”, “se der mamadeira não vai pegar o peito nunca mais”. E dez dias depois, visita do cunhado pediatra … “ele continua perdendo peso” “esquece o copinho” “ele não sabe projetar o queixo” “é muita novidade pra você e ele precisa ganhar peso ficar mais forte” “dá na mamadeira, é o seu leite”. E vai na fonoaudióloga, “vocês estão os dois estressados, você precisa relaxar” “troca as mamadeira pelo bico tal que imita o peito”. E o que lembro é que a cada mamada era um suplício, a medida que as tais três horas iam passando minha angústia crescia, o pânico era tanto que cheguei a passar uma semana sem oferecer o peito, e ele ganhou peso e então recomeçamos, e tirava leite com a bomba antes pra facilitar a descida, e tinha um spray de nariz, e dava um pouco na mamadeira antes pra ele acalmar … Era uma guerra, às vezes pegava, às vezes não. E a cada três horas tinha que descongelar o leite em banho maria, e dar a mamadeira, e tirava o leite com a bomba de novo e tinha que esterilizar tudo e já tava quase na hora de começar outra vez…. E fomos assim até o Natal, com quase dois meses finalmente abandonamos aquilo tudo, e ficamos só com o peito, pelos menos até os 4 meses e meio, quando entrou o complemento na história até o desmame total entre os seis e sete meses. Ufa! Sofri tanto para que ele mamasse que me permiti não sofrer com o desmame.

E então vem Laura, primeira mamada cerca de duas horas após o nascimento, diz a enfermeira “olha sem pressão, você está deitada não pode levantar ainda, ela tem reserva até amanhã, isso é uma tentativa pra ver se ela pega, se tem reflexo de sugar, se você tem colostro” e coloca ela ao meu lado na cama, e nada, e coloca a luva, dá o dedo ela suga, tira o dedo oferece o bico e pá … Ela pega de primeira… E a enfermeira diz “deixa ela aí, o tempo que ela ficar, mas se ela soltar tudo bem, é normal” e ela fica lá uma meia hora! E daí em diante nunca mais auxílio, nunca mais enfermeira, nunca mamadeira, nunca bomba! A primeira noite na maternidade inteirinha de um peito pro outro, a alegria era tamanha que nem me incomodei, eu queria curtir o momento, eu pensava “ela sabe mamar, melhor deixar aí, vai que desaprende”. E assim chegamos aos 80 dias, tudo tão simples…. é possível, pode ser fácil, pode ser natural, não é lenda! E eu que pensava “o que me difere de quem consegue?!”, hoje eu sei a resposta: “o filho”.

E não há qualquer diferença na minha ligação com um e com outro, e nem tampouco deles comigo, mas hoje eu finalmente posso entender o tal vínculo que o aleitamento cria, não se trata de mais amor, só de mais uma forma de amar, e é tão linda. Me sinto plena!

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