Como não fazer do filho mais velho o vilão – dia 107

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Cento e sete dias, e as frases chamando atenção do mais velho se repetem… É um tal de “cuidado com esse pé, quase acerta sua irmã”, “Poxa filho não grita, Laura tá quase dormindo” e “espera Pedro, não está vendo que sua irmã está chorando?” Ou “agora não, Laurinha esta mamando” …. É fácil, quase sem que a gente perceba, fazer do filho mais velho o vilão!

Afinal é ele quem “atrapalha” quase sempre as atividades com o pequeno, indefeso e inocente. Eu preciso estar a todo tempo me lembrando que ele é só uma criança de 4 anos, mas ao mesmo tempo tento também ensiná-lo, porque realmente acredito que um irmão é uma ótima oportunidade dele aprender a respeitar o outro, a esperar, a ser solidário e colaborativo. E a verdade é que com um filho como Pedro não é tão difícil, não é difícil lembrar que seu filho que no geral se comporta bem, não faz por mal, mas e se ele fosse atentado?! E digo isso não pejorativamente, ser um menino atentado aos 4 anos de idade é bem normal eu diria…. Nesses casos deve ser ainda mais difícil não perder a paciência!

Por uma vez eu realmente me assustei, estávamos na minha cama, eu trocava Laurinha e ele deitado vendo o tablet não parava quieto, falei algumas vezes para que tomasse cuidado e de repente num movimento mais brusco os pés passaram por um tris de atingir a cabeça da irmã, eu briguei, ele se assustou, e em segundos os dois choravam ao mesmo tempo ….. Foi horrível, defender um filho da ação do outro é talvez a tarefa mais ingrata da mãe de dois (ou mais), naquele momento eu entendi quando minha mãe vinha separar uma briga e simplesmente não se interessava em saber quem tinha razão nem tomar partido nenhum.

Hoje novamente enquanto cozinhava e tinha os dois na cozinha comigo, Laura, visivelmente com sono, resmungava na cadeirinha, enquanto ele brincava com seus carrinhos e bonecos, então quando ela estava prestes a fechar os olhos, ele me arranca com um carrinho pelo chão irregular de azulejos fazendo aquele estrondo….. “PEDRO NÃO FAZ BARULHO!!!”, e quando aqueles olhinhos arregalados quase pedindo desculpa me olharam, coube a mim pedir desculpas….. “Desculpa meu filho, pode brincar, vou levar Laurinha pra dormir no quarto”.

E assim entre erros e acertos sigo sem querer fazer dele o bandido e nem a vítima, ele precisa aprender mas não à custa dos meus gritos! Ele precisa respeitar, mas também precisa ter seu espaço respeitado. E assim as primeiras lições de gentileza, cidadania e sociedade vão sendo dadas por aqui. E no fim não é só ele que aprende.

 

Leia também: A difícil tarefa de ser o irmão mais velho do blog Aprendizados de Mãe.

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