Maternidade: transformação, redescoberta e reencontro! – dia 118

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Dia 118, dia de sair da toca. Quando Pedro nasceu acho que eu precisava muito de um momento meu, acho que eu precisava ficar só, eu precisava de isolamento, de recomeço, e a maternidade proporciona tudo isso! Eu mergulhei, sem sentir nenhuma falta de respirar o ar do mundo externo.

Lembro de ouvir outras mães comentarem a falta da vida social, dos papos que não fossem sobre fraldas e mamadas, do almoço sem interrupções, dos programas adultos e até mesmo do trabalho, e eu naquela época simplesmente não entendia como elas podiam sentir falta, a maternidade havia me preenchido completamente, não havia lugar pra mais nada. Mas a verdade é que eu deixei que ela tomasse tanto espaço, porque àquela altura eu não sabia mais quem era ou o que desejava, então deixei que ela me transformasse, e até que me anulasse. Hoje posso ver, que não foi a maternidade apenas, mas também o meu momento pessoal, muito particular, que permitiu tal entrega.

Mais de quatro anos depois, a chegada de Laura parece ter trazido a parte de mim que ainda estava perdida, a parte que não quer perder oportunidades nunca, a parte que se abre às possibilidades….. Laura me faz ser melhor, até seu bom humor parece ter levado um pouco da minha recente e crescente rabugice. E se não sinto vontade de voltar a trabalhar, sinto ao menos saudade do clima do escritório, dos almoços com as amigas, do bate papo de corredor e das conversas no metrô, e posso entender perfeitamente o que tantas amigas já tentaram me explicar. A tal falta que elas sentiam!

Hoje estive no trabalho, não porque eu precisei mas porque eu quis, com Laura junto e sem nenhuma angústia em voltar pra casa, sem me apressar e nem perder a hora.

Hoje eu sei, me reinventei com a vinda de um, me reencontrei com a chegada da outra, e finalmente tenho a certeza de ser quem sou, completa onde quer e com quem eu esteja.

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