Corpo pós-parto: a difícil tarefa de se aceitar nele – dia 166

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

Cento e sessenta e seis dias e pela primeira vez nestes mais de cinco meses resolvi me aventurar na difícil tarefa de comprar roupas, já que está difícil encontrar, no meu armário limitado, algo para usar no aniversário do Pedro. Voltei para casa quase duas horas depois, quando Laura já clamava minha presença, com duas camisas do Capitão América, e nada pra mim!

Foto: Jade beall – Projeto “a beautiful body”

Comprar roupa já não é tarefa fácil pra mim há tempos, desde que eu passei a habitar esse corpo alguns números maior do que o necessário, esse corpo que não me pertence, que por mais que insista em ficar, não consigo me acostumar. Mas se antes já era difícil, nessa fase “pós gravidez” é missão quase impossível. Pra começar boa parte do meu guarda roupa, que é de vestidos (longos, curtos, soltos do tipo que vestem bem qualquer corpo!), está descartada por inviabilizar a amamentação! Tem essa, além de caber, ser confortável (afinal preciso carregar um bebê) e vestir bem, tem que dar para amamentar e tem que comportar um sutiã 2 números acima do que estou habituada a usar. Não precisa ser de abrir, a prática já me ensinou que é até mais fácil levantar a blusa, mas pra isso precisa ter uma folguinha…e se pra caber já tem que ser grande, imagina com folga!

Mesmo já tendo recuperado o peso de antes da gravidez, que já não era nem de longe o ideal, mesmo assim, o corpo é outro, o corpo é estranho, mais barriga, barriga mole, mais peito, peito mais pesado, mais pele! Não é fácil se reconhecer, se gostar nesse corpo, quanto mais escolher uma roupa para ele!

Pensando bem, se a maternidade é mesmo uma metamorfose é natural que mude também nossa casca, a diferença é que as transformações da alma foram um caminho de reencontro, de resgate e de reconhecimento de mim mesma, enquanto que as mudanças físicas, ah! essas mesmo ali refletidas no espelho, registradas nas fotografias, não as assimilo, elas me afastam de mim. Mas assim disforme e imperfeito, esse corpo exibe as marcas de ter carregado aqueles que tocaram a minha alma. Então ele é meu, ele sou eu!

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