Saindo de casa com dois filhos sem surtar – dia 225

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

225 dias, não foram poucos os momentos atordoantes nesses mais de duzentos dias com dois filhos, momentos em que os dois choram ao mesmo tempo, em que um não cala a boca e a outra não consegue dormir, em que uma está suja de cocô e o outro “tá morrendo de fome”, ou que um grita “acabei mãe” bem quando a outra tá mamando.

Ainda assim tenho me virado, a gente pega algumas manhas, aprende, se vira, respira e não pira…. tenho ajuda quase todo dia, mas também fico muitas vezes sozinha, em casa até que levo na boa, mas a hora de sair complica… Pedro só falta ficar pronto e ir pro lado de fora tocar a campainha de casa pra me apressar de tanta ansiedade, Laura me vê de um lado pro outro sem parar pra dar atenção a ela e desanda a chorar…. quase sempre é assim. Quem dera sempre desse tudo certo, a galinha pintadinha funcionasse como entretenimento até eu terminar de me vestir, ou sendo a Laura a primeira a tomar banho, pegasse no sono até todo resto estar pronto. Sim, essas estratégias são boas, quando funcionam é uma beleza, mas tem dia que nada dá certo! Tipo hoje!
Faxineira em casa, o que por si só já tumultua o ambiente e deixa todo mundo agitado. Pedro resolve limpar os vidros da varanda junto com a Maria, coitada da Maria, ele mais atrapalha do que ajuda, e ainda molha a sala toda…. Laura não sossega nem no colo, coloco na cadeirinha e ligo a galinha. Pedro espalha brinquedos pela casa, apesar das minhas recomendações que arrumasse os já espalhados porque íamos sair, escolhe a dedo os mais difíceis de tirar do armário. Laura reclama, levo pro berço. Maria se move pelos cômodos e eu vou mudando a tropa pra liberar o caminho. Laura resmunga, mudo os brinquedos. Pedro inventa de fazer corte e colagem. Tenho um mini ataque. Tento achar uma roupa mais quentinha que ainda caiba na Laura afinal 22 graus em dezembro ninguém esperava. Resolvo procurar nas roupas ainda guardadas embaixo da minha cama box, mas descubro que ela virou campo de batalha de super heróis e desisto de abrir o baú.
Laura intensifica o choro, respiro, calculo o tempo e pego ela pra mamar, sim, depois de mamar ela há de se acalmar e aí faço tudo com calma…. só que não! Começa a bater o desespero, falta meia hora pra vovó chegar com os primos pra irmos almoçar e ninguém está vestido, não fiz a mochila, e tô parecendo o bozo!!! Pois é, o cabelo curto não me permite mais o famoso coque amarrado emergencial, permite um banho de 3 minutos, mas preciso de um banho! Ligo pra minha mãe pra saber onde estão. Ufa! atrasados também!
Confesso, nessa hora, atordoada pelo choro e pela bagunça, grito mais do que gostaria, sobra pro Pedro, reclamo mais do que deveria, perco a paciência….. pára Fernanda, respira! Só está piorando as coisas, pensa! Nessa hora é comum nos perdermos entre tomar um tempo resolvendo as coisas com calma e nos atropelarmos tentando fazer tudo ao mesmo tempo sem resolver nada. Difícil! Difícil ter calma pra fazer um bebê dormir nesse momento, difícil ter discernimento, mas vamos lá, vamos tentar. Começo pelo mais simples, visto Pedro. Então visto Laura e deixo prontinha já no carrinho, a ideia era balançar um pouquinho pra ela dormir, mas desisto, estou acelerada demais pra isso, enquanto ela se diverte com o sapato por não mais que 5 minutos entro no chuveiro de porta aberta mesmo olhando ela enquanto molho o corpo e os cabelos, e fica nisso, só deu pra isso! Finalmente ouço o ronco do carro da minha mãe entrando na garagem…. ela vem pegar Pedro pra levar pro play onde estão os primos enquanto acabo de me arrumar… mas eu imploro, pelamordedeus leva essa menina, não aguento mais esse choro…. ah!!!! que silêncio, em 5 minutos me visto, escovo os dentes, me arrumo… ah como é fácil sem barulho!
Sim, ter dois filhos às vezes é de surtar, é atordoante, quase sempre é também muito divertido, mas tudo bem quando não é, tudo bem precisar pedir ajuda, precisar parar pra respirar, precisar de 5 minutos longe do choro….. passou! E lá fui eu com uma no canguru e outro pela mão ver o papai Noel, devia ter pedido umas horas de sono, um pouquinho mais de paciência, quem sabe uma dose extra de sanidade…. que nada, já tenho amor demais, o resto a gente pára, respira e corre atrás!

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