Introdução alimentar sem pressa, no tempo do bebê – dia 230

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

Duzentos e trinta dias, o tempo está passando, Laura crescendo, as fases mudando, se antes tudo era peito, agora estamos às voltas com a temida introdução alimentar. Devo confessar, de tudo o que envolve cuidar dos filhos essa é a única parte que eu não tenho muita paciência, mas vamos lá!

Acho que posso dizer que sou uma mãe dedicada, presente e dedicada, deixo meus filhos explorarem o mundo, estimulo experiências, deixo que se sujem, quero que vivenciem a infância como se deve, também leio, me atualizo, sigo tendências quando vejo sentido nelas ….. mas sendo bem sincera no quesito alimentação não sou nada disso, aquela cena do bebê todo lambuzado e comida voando em todas as direções me dá arrepios na espinha, BLW então nem pensar, já li, entendi, mas não é pra mim, tenho fobia de engasgos e por mais que os estudos aprovem, simplesmente não consigo. Tenho preguiça de deixar comer sozinho, prefiro dar a comida pra não fazer sujeira e acabar mais rápido.

Também não sou nada neurótica, eu não comia nada quando pequena, não adiantou me forçarem, não me fez comer melhor e nem tampouco evitou que eu tivesse uma relação desequilibrada com a comida. Então, apesar de adotar algumas regras na alimentação do Pedro, eu devo dizer que sou bem menos rígida do que com outras coisas, andei sendo até nada rígida ultimamente. O início não foi como manda o figurino, pelo menos não o atual…. depois das frutas, começamos pela sopinha batida, passamos para a amassada, depois pra comidinha, sempre comida fresquinha, a sopa eu fazia pra dois dias apenas, mas sempre nesse esquema básico, dois legumes de cores diferentes, uma horatalica e uma proteína, nada de receitinhas, nada que me desse trabalho, nada de mexer na comida, comer com a mão……. não deu trabalho, sempre comeu bem, salvo a aversão a arroz (que superou na escola) e macarrão (que persiste) ele comia de tudo, no início o caldinho do feijão e sempre um purê de algum legume ajudava com os pedaços do resto, mas depois evoluiu e aceitou nem os sólidos. Pedro correspondia à expectativa de qualquer mãe, comia tudo, rápido e sem fazer sujeira!

Foi moleza…só de lembrar que desde o primeiro dia ele já comeu o prato todinho de sopa….até começar a comer na escola, e lá pelos 3 anos vir com a tal seletividade, foi reduzindo um a um os ingredientes e hoje, apesar de comer bem em quantidade, come cada vez menos coisas e eu que sou tão relax já estou estudando formas de ajudá-lo a se relacionar melhor com a comida, mas sem traumas!!

Então vem Laurinha, segundo filho, aquele que vem pra quebrar paradigmas, pra ensinar lições. Laura mama bem, tem bom peso, bom crescimento e eu sou uma mãe disponível 24h, então começamos tudo bem devagar por aqui, como tudo nela é o oposto do irmão, já imaginava dificuldades nessa hora. Nos primeiros dias de fruta nada feito, mas lá pelo terceiro ou quarto comeu quase tudo…. travou o intestino, mamão não resolveu… tirei a fruta, dois dias de leite, muito sofrimento e algum suco de laranja (na colher, na seringa, no copo, do jeito que fosse porque mamadeira e copinho não deram em nada), finalmente fez coco. Assim o processo da fruta continuou, oferecendo e tirando, revezando só com o peito até o intestino adaptar, o que levou mais de 3 semanas.

Começamos então a papinha salgada, a sopinha, nada! Mal provou, não insisti, veio a febre, aboli a sopa, amassei os legumes separados, nada! Uma semana e nada! Nenhuma colherada, só choro! Veio a tosse, era virose, suspendi a alimentação, toda a alimentação, seguindo a sugestão do pediatra que avaliou que não era hora, e afinal ela mal tinha começado mesmo, seguimos no peito, a essa altura já com sete meses.

Uns 10 dias depois recomeçamos, hoje mais consciente pulei a etapa liquidificada, passei pro mixer, papinha mais consistente, meio pedaçuda até, cheia de abóbora que é bem docinho já que a essa altura ela vai muito bem com as frutas…. e não é que ela começou a comer um pouquinho! Não chega nem perto do que Pedro comia, mas tá comendo, cada dia um pouco mais, não forço, não tenho pressa…. mas lembra da mãe que tinha arrepios com a lambança de comida?! Laura é dessas…. mete a mão, toma a colher da minha, vai comida no cabelo e até na nuca…. estou aprendendo a me divertir com isso! O que vale é que ela adora a hora da comida, ela fica visivelmente feliz naquela cadeirinha (e quando Laura não é feliz?! Ô bebê risonho!), mas ela curte mesmo a interação. E olha só, nem precisamos de TV ligada, mal hábito que deixei rolar com Pedro… só porque eu preferia que comesse distraído do que não comesse!

E assim vamos seguindo, ainda estamos só no almoço, é preciso paciência demais, calma demais….. se para amamentar foi preciso, calma, ajuste, dedicação, agora não é diferente, leva tempo…. e que bom que eu posso esperar o tempo dela, que bom que o leite é sustento! E quer saber, quando não
come, dou o peito, quando tô na rua, não carrego mais aquele arsenal com frutinha não…. dou o peito! Sem pressão nem pra ela nem pra mim, porque vida de mae já é cheia de batalhas, essa eu escolhi encarar com mais leveza!

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