Mãe de bebê: as pequenas coisas que nos fazem falta – dia 225

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

Duzentos e trinta e cinco dias e bateu saudade de pequenas coisas que ficam pra trás quando somos mães de bebês. Ter um bebê em casa não é fácil, sob muitos aspectos o segundo filho é mais fácil, mas sob outros, em especial essa questão da falta que certas coisas fazem, acho que tem sido mais difícil.

Quando fui mãe pela primeira vez a experiência foi tão intensa, fiquei imersa naquele novo mundo por tanto tempo que levei tempo pra sentir falta de tantas coisa simples que ficam de lado quando se tem um bebê. Ler um bom livro, vagar por uma loja de departamentos sem compromisso, olhar todas as novidades pro cabelo quando vai a farmácia, andar pela rua sem empurrar um carrinho ou carregar um sling, hidratar o cabelo no banho, passar um domingo chuvoso todinho no sofá…. e tantas outras.

leia sobre quanto tempo eu levei pra me reencontrar da primeira vez, o meu tempo de cura

 

Mas agora com Laura, segunda filha, mais de quatro anos depois é bem diferente. Não sei se porque a saudade dessas coisas já está acumulada ou se porque não há assim tanta novidade pra me preencher, mas eu sinto mais falta, mais saudade e de mais coisas e mais cedo. Se por um lado estou mais safa, assisto séries enquanto amamento; mais resistente, trabalho enquanto ela dorme e até mais corajosa, saio sozinha com os dois se preciso. E assim acabo fazendo coisas que nem sonhava com Pedro bebê. Por outro, e talvez justamente por isso, por não ter deixado de transitar na vida real, por não estar presa na bolha da primeira maternidade, nosso próprio espaço faz mais falta.

Tantos hábitos deixados pra trás que não foram retomados, alguns deixaram saudades outros não me pertecem mais mesmo, mas tanto outros pequenos prazeres eu acabara de reconquistar e foram novamente postos de lado. Ter um segundo bebê em casa é menos sufocante do que a primeira vez, é uma realidade mais próxima da que já existia antes dele chegar. O primeiro filho vira a vida de cabeça pra baixo, muda o tabuleiro do jogo, o segundo só te faz voltar umas casas ou quem sabe voltar ao inicio, e conhecer as próximas jogadas por vezes me faz mais ansiosa e por outras mais serena.

Hoje tive que ir ao centro resolver uma questão burocrática ainda por conta da minha demissão, passei na porta de uma grande livraria…. Era meio da tarde, Laura já está comendo bem as frutas o que me permite uma liberdade maior nesse horário. Marido havia me pedido pra comprar um livro na semana passada que eu atordoara com uma criança é um bebê no shopping na semana de natal, obviamente esqueci. Não resisti e entrei…. ah que coisa boa entrar numa livraria sem filhos, poder ler as contra capas, folhear os livros, e foram tantos os que tive vontade de ler, cheguei a tomar um ou dois na mão, mas logo lembrei dos tantos que tenho em casa, dos que comprei ou ganhei nos últimos anos e não dei conta de ler…. desisti! Mas ainda assim foi bom, deu saudade da liberdade.

Aí a gente volta pra casa, é recebida por um sorriso lindo de dois dentes, por bracinhos balançando pedindo por colo. E lembra que ter um bebê não é fácil mas é também muito gostoso…. e afinal a liberdade já vai chegar, falta aquele chopp no fim-de-tarde do verão carioca ainda faz, mas dá pra esperar, ô se dá!

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