Gritei com meu filho e chorei meu grito – dia 236

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Dia 236. Vacina às sete da manhã, duas idas ao centro debaixo de um sol de 40 graus, sono, dor de cabeça….. a mistura resultou em perda de paciência, perda de controle, e gritos! Gritei com meu filho de 5 anos! Gritei com ele, mas queria gritar com o mundo!

Gritei porque ele não obedecia, gritei porque ele me desafiou, gritei porque ele me desrespeitou, para que guardasse os brinquedos, que parasse de chorar…. não, gritei porque escuto berros o dia todo, gritei porque gritaram comigo, tal qual um chefe grita com seus funcionários depois da reunião de diretoria, gritei porque me falta o silêncio, que contrassenso. Mas ele tem 5 anos, não foi a primeira vez que desobedeceu, nem que chorou contrariado ou assustado, ele tem 5 anos, eu 37, minar minha paciência é um teste no qual eu devo e costumo passar, ainda que às vezes com dificuldades.
Na verdade eu gritei porque estou cansada, gritei pra não desabar, ou pra esconder que ja tinha desabado….enfim, gritei e desabei. Não estou cansada porque tenho dois filhos, quase quarenta anos, uma faxineira só de 15 em 15 dias e ainda tento empreender, estou cansada porque a vida tem sido difícil, e não só pra quem tem filhos. Estou esgotada porque quando as coisas dão errado eu tenho que ser forte, e eu venho sendo há muito tempo. Estou irritada porque é a última semana do ano, e eu não gosto de fim de ano. Há tempos sonhava em estar livre nessa semana, depois de anos esquentando lugar no trabalho esperando esses dias passarem, eu queria estar na praia, na piscina, viajando com meu marido e meus filhos, mas estou às voltas com médicos que não tive outra data pra marcar, plano de saúde e outras burocracias do pós demissional.

Não é a sobrecarga, não é só porque não dou conta, é a falta de válvula de escape. Nem é a TPM ou a privação do sono. Não é insatisfação, falta de amor ou de felicidade, é falta de reconhecimento. Porque o mundo diz que entende, mas o mundo só finge, o mundo nem sabe, quando eu mais preciso, quem compreende?! Cadê o mundo quando eu preciso mais do que ajuda, mais do que a parte dele, quando eu preciso de sustentação…. cadê o mundo quando eu falho na minha parte? O mundo cobra, fiscaliza…. fiscaliza a minha ausência, os meus excessos, a sujeira no sofá, o cabelo sem tratar, a comida congelada, a cara amassada ou amarrada…..fiscaliza até o grito!

Gritei, me culpei e me desculpei…Entrei no banho e chorei. Chorei a estupidez de querer impor o que é conquista, de tentar educar pelo avesso do exemplo. Chorei o ano de 2016, que de tão estranho foi pra mim tão belo. Lágrimas de contentamento, de lavar a alma, de aliviar a tensão. Lágrimas que refletem o esforço e a esperança. Lágrimas porque o tempo não pára e nem espera a gente respirar, se levantar…. tudo acontece ao mesmo tempo, agora! E isso faz a gente gritar e chorar. Chorar a impotência diante do próprio descontrole, chorar por se deixar contaminar pelo mundo.

Por fim também me perdoei, eu não sou como o mundo!

 

Leia também Chorei todo o meu cansaço em Aprendizados de Mãe.

 

5 comentários

  1. Javera comentou:

    Muito bom!!!
    Vi minha experiência nas suas palavras… Transcrita de forma tão simples, tão natural…
    “Por fim também me perdoei, eu não sou como o mundo!” Exatamente assim!

  2. Raquel comentou:

    Não acho que nós mães precisamos de remédio
    Todas nós passamos por isso
    É difícil demais tudo oq passamos e aguentamos e sendo forte
    Chega um hora que a alma não aguenta
    Tbm grito, tbm choro
    Choro as vzs por não ter paciência com o meu filho mais
    Choro por não ter onde me apoiar quando tudo tá difícil
    Oq agente mais precisa nessas horas é apoio
    Sustento Deus

  3. Anonimo comentou:

    Meu Deus querida, procure um psiquiatra, eu estou dessa forma que descreveu, estou tomando um remédio porque tenho transtorno de ansiedade generalizada e junto veio a depressão porem minha depressão é explosiva eu não fico me lamentando eu explodo na pessoa mais próxima no casa meu marido. Busquei ajuda porque tenho uma bebê de 5 meses e cuido sozinha dela. Vou fazer terapia com psicólogo mas é terapia comportamental para voltar a viver em sociedade porque as pessoas me irritam demais.

    1. Fernanda Curado Reale comentou:

      Obrigada pela preocupação, foi um desabafo, ainda não preciso de um psiquiatra (risos), foi apenas um dia ruim! Todas nós mães temos! Acompanhe meu diário E verá que não me sinto assim sempre!

      Você fez bem em procurar ajuda, a maternidade e muito intensa e muitas vezes é necessária ajuda nesse processo sim! Boa sorte 😘

      1. Janaina comentou:

        Também ontem gritei com minha filha…cansada…privação de sono…achando que como ela quer colo, eu tb quero. Ela n entende ainda que me sinto assim, ela n tem culpa…é um bebe…só eu que cansei…e descontei no serzinho que n tem noção que a mamãe dela ta cansada.

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