Pra ser uma boa mãe é preciso olhar pra dentro – dia 244

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

Duzentos e ….. peraí, perdi a conta! Nesse tempo todo acho que nunca fiquei tantos dias sem escrever, talvez só quando acabaram os 100 dias, antes de atender aos pedidos e continuar. Mas mesmo assim quatros dias sem um relato sequer, acho que não… mas eu precisei parar e olhar pra mim, e o fim de ano é uma data ótima para isso não?!

Retomando as contas, estamos no nosso dia 244! Foram mais de duzentos dias colocando o outro, ou melhor a outra, na verdade os outros, em primeiro lugar, duzentos e tantos dias falando deles, um pouco de mim, mas em relação a eles. Acho que nesses dias que parei, eu acabei pensando em mim, e talvez eu quisesse falar apenas de mim, não da mãe, mas da Fernanda. Mas eu não sabia nem o quê, nem como. E a pausa acabou me fazendo bem.

Não é coincidência que meu corpo tenha também gritado por atenção nesses dias, pele que empola, urticária que tive uma vez na vida, quando Pedro era bebê (será que tem algum fator hormonal nisso? vale a pesquisa!). Estômago que grita, urra até! De fato ele já vinha gritando há uns meses, timidamente, como quem diz “olha pra mim”, “olha pra você”! Mas quem tem tempo?! Sim, eu sei que pra ser uma boa mãe, pra cuidar bem dos meus filhos, ainda mais amamentando, antes eu preciso estar bem, preciso cuidar de mim, da minha saúde, mas na matemática dos meus dias não é tão fácil fechar essa conta.

As horas passam e às 6 da tarde quando eu ainda tenho que ver o jantar do mais velho, dar banho na menor, às vezes estender uma roupa, e ainda lavar a louça do jantar (tá, essa muitas vezes fica pro dia seguinte!), e tudo antes de enfrentar a saga para Laura dormir… é bem nessa hora que eu lembro que esqueci de novo de ligar pra marcar aquela consulta. E sabe quando eu lembro também? Quando a dor aparece, mas advinha? Ela vem sorrateira, na madrugada, que aliás é quando eu tenho tempo pra lembrar de mim, deve ser por isso que ela vem, porque encontra espaço. E as madrugadas passam e os dias também.

E assim chegamos ao dia de hoje, primeira semana de janeiro, a semana mais positiva do ano, aquela em que todos os sonhos são possíveis, a partir dela tudo pode ser diferente. Eu queria estar na praia, ou até gramando o meu tudo diferente que vem pela frente, mas lá fui eu fazer uma endoscopia. Por conta dela, eu, adepta da livre demanda, recusei amamentar minha filha pela primeira vez. Foram 6 horas até que a sedação fosse eliminada do meu corpo, foram 6 horas perfeitamente administráveis, Laura que não come quase nada até bateu um prato de sopa hoje, sentida, chorosa, mas abrindo a boca e pedindo mais!

E o que eu aprendi com aqueles olhinhos ávidos, que fitavam meus seios?! Com o bico triste que parecia perguntar “porque isso?”?Eu aprendi que pra ser presente é preciso se ausentar. Seis horas não são nada, até na matemática apertada da minha vida, não são nada…. mas e se isso virasse uma emergência, um dia, uma noite, ou até mais num hospital? Não haveria matemática que salvasse a conta. Porque a ordem dos fatores não altera o produto quando a gente multiplica amor, carinho, atenção…. mas quando a gente divide, se divide, entre nós e eles, a ordem faz toda a diferença. É preciso antes de tudo estar inteira!

E por fim quando as horas passaram e ela enfim mamou, sua euforia por ver que nada mudou, que tudo era como antes, como ela conhecia….. essa alegria me ensinou ainda mais. Que o ano novo começa, que a renovação da esperança e da vontade de fazer melhor existem, mas pra ser melhor nem tudo precisa ser diferente, algumas coisas só precisam estar lá onde elas estão, mesmo que às vezes a gente bagunce a vida, elas só precisam voltar pra onde sempre estiveram, e isso não precisa mudar nunca!

 

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