Dois filhos, culpa em dobro – dia 245

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

Duzentos e quarenta e cinco dias de amor duplicado, mas não é só o amor que dobra com a chegada do segundo filho, a culpa também!

Eu, quando só tinha Pedro não fazia o gênero mãe culpada, cresci ouvindo minha avó dizer que não se cria filho com pena, e nem sou mesmo de ter pena dos outros ou até de mim mesma. Mas o segundo filho chega, os sentimentos se multiplicam, o amor, o carinho, o apego… mas a verdade é que o tempo e, principalmente, a paciência se dividem! E isso junto à tantas outras coisas me fazem hoje sentir o dobro da culpa de antes.

Dizem que a culpa nasce junto com a mãe, e em algum grau acho que toda mãe se sente culpada em algum momento mesmo, mas eu não me sentia assim quando precisava ser dura com Pedro, nem por trabalhar fora e eventualmente chegar tarde em casa, não era uma opção. Também não me sentia culpada por errar, era sempre tentando acertar, e nem por às vezes gritar ou perder a paciência, faz parte, eu sei, sou humana!

Mas hoje, me desdobrando como posso pra atender às necessidades tão diferentes de um menino de 5 anos e uma bebê de 8 meses, hoje a culpa tá sempre ali me rondando , soprando a minha nuca! Me sinto culpada porque estou em casa, com eles, e muitas vezes ficar com eles é o que menos faço. Porque Laura fica na cadeirinha e Pedro no tablet mais do que eu gostaria, bem mais! Me sinto culpada porque ele está passando as férias preso em casa e porque Laura passa dias sem pegar sol. E eu sei que estou dando meu melhor, mas é se o meu não for nesse momento o suficiente?

Quando Pedro se comporta como uma criança chata, responde tudo, chora, não coopera, não que comer, eu repreendo, cobro, mas aqui dentro tem uma voz repetindo…. “tenha paciência, a vida tá difícil pra ele também!” ….. e lida como com isso? Com essa voz, e com essa fase?! Faz o quê pra não pegar pesado, mas não deixar de educar?! Quando Laura choraminga a cada vez que eu passo na sala, quando não sossega de jeito nenhum, não aceita o colo do pai, chora e grita atordoando quem já está atordoada, no fundo eu sei que é só saudade de mim,  porque às vezes estou com ela, mas não estou, estou escrevendo no celular, ou correndo pra arrumar as coisas em volta.

E eu conheço todas as minhas razões, me perdoo, nao me culpo, mas não deixo de sentir a culpa. E é aí que a culpa vira lamento. Lamento por perceber às nove e meia da noite que ainda não dei o jantar do Pedro, que mal almoçou por conta da febre. Lamento enquanto perco duas horas desfiando uma carne enquanto Laura assiste à galinha na TV.

E então acaba o dia, todos dormem, eu deito a cabeça no travesseiro e lembro que vai passar, penso que é uma fase, penso no que fazer, como melhorar, faço planos, mais alguns pra eu não cumprir e me cobrar, quem sabe até me culpar….. e amanhã é sexta feira, dia de deixar a culpa pra lá, e então eu vou dormir e deixa essa roda da culpa materna girar!

2 comentários

  1. Deise comentou:

    Também tenho dois, um de 5meses e um de 2 anos e meio, e sei muito bem do que Vc esta falando. Texto perfeito!

  2. Enaile comentou:

    Que desabafo! Depois que meu filho nasceu, digo às amigas que são mães depois de mim: Junto com a mãe vem o filho e a culpa.

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