Quando o ciúme de irmão chega disfarçado – dia 218

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

Dia 248, levou mais de 200 dias, mas ali em algum momento entre o sétimo e o oitavo mês da Laura, ele foi chegando sorrateiramente, de fininho, pouco a pouco, que mal percebemos sua vinda antes que se instalasse, o ciúme!

Desde que Laura nasceu não notamos em Pedro o comportamento clássico do filhos mais velho com crise de ciúmes do caçula, aquele que muitos relatavam, regressão, agressividade, sintomas imaginários, necessidade de chamar a atenção…… Pelo contrário, eu diria que ele ficou mais independente, passou a dormir sozinho, costumava verbalizar quando se sentia incomodado ou até um pouco abandonado. Durante todos os primeiros meses de cuidados com o bebê, só quem deu trabalho por aqui foi mesmo Laura, ele seguiu brincando sozinho, obedecendo, às vezes manhoso, querendo atenção, mas sempre muito carinhoso, tudo dentro do normal da idade. Ele parecia aproveitar o fato de ter a mãe mais tempo em casa e eu podia ver claramente os benefícios da minha presença e até da Laura no comportamento dele.

Mas o tempo passou, o bebê que só mamava e dormia passou a interagir e exigir escolta constante para evitar tombos e acidentes, está sempre a retirar elogios e risos de todos, inclusive na rua, dorme cada dia menos, começa a disputar brinquedos, e ainda se vale de toda a paciência e benevolência dos pais, afinal é só um bebê, não entende! O tempo que sobrava para brincar com o mais velho não sobra mais, as férias chegaram e os passeios que poderíamos fazer são sempre limitamos pela presença de um bebê. Isso sem contar o volume de trabalho que aumentou, agora são dois comendo e cardápios ainda bem diferentes. Mais trabalho, mãe mais cansada e menos paciente!

E assim pouco a pouco o comportamento do Pedro foi mudando, ficando desafiador, chorão, insistente e resistente. Veio uma febre viral que custa a ir embora, se recusa a aceitar nossas soluções e sugestões pros seus problemas, pelo contrário, cria problemas até na diversão, repete sem parar o que quer quando não é atendido imediatamente ou quando tem o pedido negado. O que para alguém que faz mil coisas ao mesmo tempo, e já escuta um bebê muitas vezes chorando e resmungando ao fundo, é no mínimo enlouquecedor! E por fim começou a manifestar impaciência com a irmã, o que acabou sendo a pista que faltava pra reconhecer o ciúme.

Agora é achar paciência onde já não existe, encontrar tempo, se desdobrar em mais uma, tentar equilibrar a balança das atenções, tentar compreender sem deixar de repreender, acolher sem deixar de ver. E entoar o mantra….. é uma fase, vai passar!

1 comentário

  1. Cinthia comentou:

    Ahhh como me identifiquei com esse texto!!! Sou mãe de um Pedro tb (7 anos) e Gabriely e Miguel ( gêmeos de 2 anos) E como é difícil essa fase de ciúmes que parece que nunca vai acabar ! Peço a Deus diariamente pra renovar minhas forças e me dar sabedoria pra conseguir ser mãe de três, com suas necessidades e jeitos tão diferentes… mas como vc disse: é fase, e vai passar!! Bjs, linda família

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