Qmãe convida: O relato de uma mãe de três

Categorias: Conversa fiada, Prosa de mãe, Qmae Convida, Relatos de experiência

O Qmãe Convida de hoje recebe a Ana Paula Viana, fonoaudióloga e especialista em amamentação que atende mães e pais através do Família Coruja. Mas hoje ela não veio falar de nenhum desses assuntos super importantes, hoje ela está aqui porque é mãe do Miguel, da Alice e do João e nesse relato real e divertido nos dá uma ideia de como é a vida de mãe de três!

Conheci Ana Paula na escola do meu filho, embora nenhum dos seus seja colega do Pedro, nos esbarramos numa festa junina, compartilhamos o lápis preto para caracterizar os pequenos, depois nos esbarramos de no Facebook e passamos a trocar figurinhas sobre os filhos, aliás até roupas deles trocamos também! Ana sempre faz relatos bem humorados e sinceros sobre sua rotina com os pequenos, como esse texto de hoje que quando li não resisti em publicar! Alguns dos seus relatos acabaram virando um livro, o Abobrinhas de 1 mãe de 2, quando João ainda não tinha chegado!

Vem se divertir com a sua saga para beber água ao chegar da rua sozinha com os três!

 


Uma mãe com sede – a saga!

Por Ana Paula Viana

 

Chegamos da rua: pega um táxi, busca um numa colônia de férias, mochilinha, segue para a segunda colônia, busca outros 2, mais mochilinhas, segue pra casa. No táxi, criança 3 pede pra mamar, e nessa hora a boca da mamãe ainda seca, não tem jeito. Crianças cantando / gritando / brigando (“a música não é assim, tá errado, é assim sim, você que não sabe”), confusão dos infernos.

Chegamos na portaria: anda anda, tem que subir um andar (“mamãe, vamos de escada?” “Ai, vamos”), sobe. Anda anda anda anda até o prédio lá do final (“mamãe, vamos apostar corrida?” E já saem correndo. “Espeeeeraaaaa!” E saio atrás). Sede, muita sede.

Elevador. “Eu quero apertar!” “Não, você apertou antes, agora sou eu!” “João, não é pra ir pro play – mamãe, João apertou 3 botões a mais…”. Chegamos. SEDE.

Deixa as mochilas no chão, deixa a bolsa na cadeira, quero uma água… “EPA EPA, podem ir colocando os sapatos no armário, não quero ver nada espalhado pela sala, o que é isso?!”, e dana a tentar não deixar o caos se instalar nos primeiros 60 segundos. SE-DE-LOU-CA.

Cometo o erro de anunciar: “ufa, vou beber uma aguinha bem geladinh…” “EU QUERO!!!!!!! (x3)”

Pausa: alguém aqui beberia água antes de dar pros filhos? Pois é. Despausa.

“Eu quero no copo do Batman!”
“O meu é o da Minnie!”
“Eu qué Cacão azul!” (copo azul do Cascão)
“Nada disso, é um copo só pra todo mundo, porque já tem muita louça suja na pia” (🙈)”, e pego uma caneca de plástico.

Encho a caneca pela primeira vez, ela vai ficando geladinha por fora, e a sede atinge o grau Saara – o deserto ou o mercado popular, dá na mesma.
Dou para o caçula primeiro (caçula, não tem jeito). Quando o menino começa a beber, percebo que ele, num golpe ninja, tinha pego sozinho, sem eu ver, um pedaço de chocotone velho esquecido na pia desde a véspera (🙈🙈) e enfiado na boca. Quando termina seu gole, tava lá: um monte de restinho de chocotone diluído na água, boiando, na caneca. Não dava pra beber. Esvazia a caneca. Enche de novo pro próximo filho.
“Eu quero bem cheia. Bem cheia! Mais, mamãe!!” Enchi. E o óbvio aconteceu. Um esbarra no outro, o outro revida o empurrão, alguém grita… e a água vai toda pro chão – no caso, pro chão, pra porta do armário, pra debaixo da geladeira, pra blusa, pro braço… menos pra minha boca.

Dou um berro (chegamos em casa há 2 min e 30 segundos, não deu tempo nem de beber um copo d’água, e eu já berrando com as crianças 🙈🙈🙈🙈), boto um pra secar o chão, outro pra longe, pego outro copo (foda-se a louça), encho de novo, dou um pra cada um… respiro. Me acalmo. Mas me desacalmo quando vejo a criança 1 levando o pano pingando de uma ponta até a outra da cozinha, tentando chegar no tanque, pisando em cima dos pingos, deixando laminha no chão, piorando tudo. ” Miguel, dá isso aqui, deixa que eu levo”… eu só queria beber água, minha gente.

“Mamãe, João fez cocô.”

Respira fundo. Mas é melhor não respirar muuuito fundo, porque o cheiro já chegou. E nessa exata hora, a criança 3 se desequilibra e cai de bunda no chão, achatando a fralda toda. O cocô começa a sair pela lateral da fralda. Partiu banho correndo, pra não dar uma merda ainda maior – com trocadilho.

E aí a vida seguiu, banho e jantar para os 3, bota pra arrumar o quarto que estava uma zona, e fala com papai no telefone, e penteia logo esse cabelo menina, e escolhe um filme pra gente ver, e bora escovar os dentes e fazer xixi, e boa noite, boa noite, boa noite, e sossega criança, e se continuarem a se sacolejar vão sair da minha cama, e ufa dormiram…

E eu não bebi a porra da água. Simples assim.
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