Angústia da separação: a temida crise do terceiro trimestre – dia 257

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Duzentos e cinquenta e sete dias, não é de hoje, nem de poucos dias que a Laura é um chicletinho, sabe aquela coisa de neném que mama no peito ser agarrado com a mãe, eu confesso que achava que havia um certo exagero nisso, mas não há….

Com Pedro era diferente, ele era arisco, não ia mesmo no colo de ninguém, seu grude comigo vinha dessa insegurança, mas não era assim tão pessoal, eu dividia o posto com o pai e minha mãe, as três referencias que ele tinha no dia a dia. Já Laura não, Laura vai no colo de quase todo mundo, dos tios, primos, avós, até da dona do food truck que nós frequentamos ou daquela prima que encontrei no natal e ela nunca havia visto. Mas quando ela quer mãe, nada resolve, e quando cai a noite, ela quer mãe! E sempre a qualquer hora eu passo e ela se agita, e se eu não dou bola, não paro pra um cafuné, um colinho, ou uma brincadeirinha que seja, ela magoa, magoa demais. Se isso se repete ao longo do dia, mais cedo ou mais tarde vira o caos! A necessidade é desesperada, nada mais sacia!

Justamente por isso tem sido meio difícil identificar a temida crise do terceiro trimestre, a chamada fase da angústia da separação, a mais comum e a mais famosa das crises do primeiro ano. Não me lembro de ter percebido com Pedro nenhuma das outras crises, na verdade nem sabia muito ao certo sobre elas, descobri com Laurinha, mas essa, essa me lembro bem, ele começou a acordar mais do que de costume, e a chorar quando eu saía para o trabalho, foi leve, mas marcou passagem.  Com ela há algumas semanas venho pensando se a temida fase chegou ou não. Todas as outras vieram dando sinais claros, o padrão do sono piorava bastante, a irritabilidade também. Por definição a crise dos 7 ou 8 meses é o momento em que o bebê finalmente percebe que ele e a mãe não são uma coisa só, por isso ao menor sinal de afastamento da mãe, o bebê chora, teme que ela não volte. Por isso ele reage se ela sai do seu campo de visão. Por isso ele acorda diversas vezes, já que a cada breve despertar natural, ele precisa abrir os olhos para ter certeza que a mãe está lá. Muitas vezes esse despertar rompe num choro, assustado e desesperado. E esse período tende a durar  mais do que os outros, podendo levar de semanas a meses.

E aí voltamos a falar de Laura, laura que me segue com os olhos, que exige presença, que acorda 1001 vezes durante a noite….. acho que Laura vive em eterna angústia, de novo mesmo, só pude perceber o choro de madrugada, que não acontecia antes, nunca! Acontecia muito no início da noite, repetidas vezes até eu chegar, mas na madrugada quando já estou ali, era só dar o peito nem chegava a chorar, mas agora nem sempre o peito resolve. Às vezes é preciso levantar ela e fazer com que me veja. Quanto às mamadas difícil mensurar se aumentaram porque coincide justo com o momento em que ela começou a comer melhor e por isso tem demandado até menos o peito. O sono inconstante como sempre, cada dia mais difícil para pegar nele durante o dia, sonecas cada vez mais curtas (se é que é possível), sono cada vez mais leve, e à noite sempre acorda, uns dias mais outros menos, mas sempre muito.

E afinal, pela primeira vez não sei se estamos na crise, semana passada achei que sim, hoje não tenho certeza, não sei se ela já passou e foi rápida, ou se na verdade foi há tempos, emendada com a dos 6 meses que pareceu nunca acabar, que de tanto que durou cheguei a me acostumar como se fosse a vida normal. Enfim, sei que dessa vez, sou eu quem pareço estar passando pela tal angústia! Tenho precisado me ausentar mais vezes, teve exame, emergência, saída com o mais velho, teve medo de baixar o hospital….. teve misto de alivio e receio, de liberdade e saudade…. teve vazio e teve surpresa ao perceber que já é possível. É acho que sou eu quem estou aprendendo que nós duas não somos a mesma pessoa, que Laura não faz parte de mim, ao menos não fisicamente! Só o meu coração que faz parte do dela.

2 comentários

  1. Beatriz comentou:

    Olá, tudo bem? Tenho uma filha de 5 meses, idêntica a Laura. Como você faz com od afazeres domésticos? Não consigo cozinhar desde que Isa nasceu e isso me angústia demais!
    Cada dia ela está de um jeito

    1. Fernanda Curado Reale comentou:

      Beatriz, em muitos momentos tenho a minha mãe em casa o que ajuda bastante. Nos que não tenho levo ela pra cozinha, no carrinho ou na cadeirinha. Na verdade eu cozinho bem pouco, nos fds meu marido faz o pesado e congela, ou seja, feijão, assa uma carne, faz uma carne moida, só frango que eu costumo fazer no dia. Aí no dia a dia eu faço acompanhamento quando dá, quando tá complicado vamos de feijão com arroz e carne… assim vou me virando. Quando ela era menor às vezes ficava entretida com o irmão brincando, tem dias que dorme, às vezes topa ficar na cadeirinha vendo galinha pintadinha… enfim cada dia é de um jeito!

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