A tal dedicação exclusiva, é exclusiva para quem? – dia 264

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

Duzentos de sessenta e quatro dias de dedicação exclusiva, mas a exclusividade é para quem? Para o quê? Nos últimos meses a frase que mais ouço do Pedro é “mamãe, você não vai brincar comigo?”.  Afinal, estou em casa para isso não?!

Foto: arquivo pessoal

Difícil que uma criança de 5 anos entenda, mas a tal dedicação exclusiva, de exclusiva não tem nada, a menos que você de fato pare de trabalhar, mas mantenha uma estrutura em casa que te permita ficar apenas com as crianças, e ainda assim, pela sua sanidade, cedo ou tarde não será mais só isso, nem deve ser! E tendo mais de um filho, de toda a forma a atenção nunca será exclusiva!

No meu caso, na verdade nunca pretendi dedicar-me unicamente às crianças, acho que eu até o faria por mais tempo se possível, talvez tocasse meus projetos num ritmo mais lendo ou esperasse as crianças crescerem um pouco. Mas desde o princípio sabia que o preço de ficar em casa, seria trabalhar em casa e de casa, o que é ainda mais difícil para uma criança de cinco anos entender. Vejo a carinha dele de interrogação quando respondo seu pedido por um passeio dizendo que tenho uma reunião “no computador” antes, e só depois poderemos sair. Ele me vê dia e noite agarrada no celular e eu explico “mamãe tá trabalhando”, ok! é um pouco vício também, mas muitas vezes é trabalho mesmo, e ele mais uma vez não entende… “ué! mas você não trabalha mais, você não parou de trabalhar?!”. Na cabecinha dele trabalho é aquele lugar que eu ia todos os dias, que ele visitou, que tinha que usar crachá, tinha segurança na porta, tinha o Tom e o Vinicius, um monte de mesas, onde ele e o papai me buscavam às vezes.

Por outro lado mesmo que eu não estivesse tocando um negócio próprio, eu tenho sempre mil afazeres da casa, que mesmo que eu tivesse ajuda diária, se acumulariam em forma providências, compras, organizações e etc. Isso sem contar os cuidados com Laura que a essa altura demandam muito do meu tempo, até porque ela não dorme quase nada! E não é que eu não brinque com ele, é que nesse momento parece nunca ser suficiente, ele quer mais, ele quer a tal exclusividade prometida, que eu nunca prometi, ou prometi, já não sei….. E como é difícil brincar com um menino de 5 anos! Tento escolher jogos sempre, mas muitas vezes ele quer brincar mesmo, brincar com seus bonecos, de luta, de missão, de batalha pokemon…. e vai sair da vida real, esquecer os problemas, tirar tudo da mente e entrar nesse universo lúdico com ele… nem sempre consigo.

É bem verdade que o contexto das férias potencializa isso tudo, agora mais do que antes ele sente falta do convívio social com os amigos, da troca, da interação. Quando menor ele se bastava, ele seus brinquedos e seu mundo. Voltando à rotina normal, até dá pra ser mais exclusiva enquanto ele está em casa e guardar todo o resto para quando ele está na escola…. e você se perguntando se não fui eu quem disse que amava as férias e quem estava louca pra elas chegarem?! Sim fui eu (leia aqui)….. abafa o caso!

 

 

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