Cama compartilhada: a hora de descompartilhar – dia 273

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

Dia 273, apesar dos quase nove meses, até hoje não temos uma rotina definida, um ritual do sono estabelecido, o que temos é um rascunho de rotina que muda de tempos em tempos de acordo com o desenvolvimento da Laura e com as fases que passamos.

Tudo bem diferente de como foi com Pedro, quando o ritual adotado no princípio se manteve com poucas alterações por muito tempo. Depois dos primeiros meses caóticos, de cólicas diárias até de madrugada e de troca do dia pela noite. Laura finalmente começou a adormecer no peito, com ou sem luta antes, mas por fim dormia no peito, eu e ela deitadas em minha cama e então a colocava no berço montado colado a minha cama. Quando acordava pra mamar voltava pra cama e assim em pouco tempo a cama virou compartilhada de vez.

Logo eu que sempre disse que cama compartilhada não entrava na minha cartilha, logo eu que não só achava que cada um devia ter seu canto, como também dormia mal demais quando Pedro deitava com a gente. Mas a verdade é que com Laura cedi logo nos primeiros 40 dias quando ela simplesmente não dormia, fazia muito frio à noite e eu estava exausta. Depois consegui colocá-la no berço, mas a livre demanda de amamentação exclusiva e eu ter perdido o medo de rolar sobre ela, trouxeram ela rapidamente de volta. E eu bem tava gostando de dormir juntinho com a minha menina, já estava tão segura que até Pedro andou dormindo com a gente.

É preciso dizer também que tudo isso só rolou porque havia espaço na cama, porque eu preciso de espaço! No início achamos por bem, já que Laura dormiria do meu quarto por uns meses e Pedro havia acabado de sair dele (ao longo do verão ele dormia num colchão em nosso quarto por causa do ar condicionado), achamos por bem que o pai dormisse com ele para evitar a sensação de abandono e o ciúmes. Depois, a verdade é que no dia a dia eu e meu marido dormimos pouquíssimas horas em comum, eu escrevo até de madrugada e ele levanta às 5 da manhã para trabalhar. E assim esse arranjo todo funcionou até aqui. Todas as noites eu coloco Laura pra dormir em meu quarto, ele coloca Pedro no dele. Depois de me convencer que tinha mesmo que ficar presa ao lado dela ou porque acordava de meia em meia hora ou porque ao botar no berço acordava e na cama não dava pra deixar sozinha. Passei a trabalhar no celular ou até a levar o laptop para a cama.

Mas se está funcionando porque descompartilhar agora?! Só por uma razão: segurança! Laura começou a engatinhar e quando acordada não posso piscar que ela debruça na grade ou chega à beira da cama. Eu morro de medo que ela caia, minha cama é uma box baú bem alta. Pedro caiu com essa idade mas a cama era bem mais baixa e ele já sabia descer, numa madrugada eu cochilei e acordei com o choro, ele provavelmente caiu tentando descer, o lençol estava enrolado em sua perna e o susto foi terrível, mas foi só um susto! Hoje certamente seria um acidente, e eu tenho medo que ela acorde sem que eu perceba e aconteça o mesmo.

Assim estamos aqui, eu no quarto deles ao invés deles no meu, e o papai com a cama só pra ele. Laura dorme no berço, eu aqui deitada no colchão  no chão, e Pedro feliz da vida de ter a mamãe por perto, na sua caminha aqui do meu lado também. No fim acho que a mudança veio em boa hora, eu pude até comer tranquila vendo TV na sala, sabendo que ela estava no berço segura, essa liberdade andava me fazendo falta.

Vou ficando por aqui no colchão, provavelmente ainda por uns tempos, sem pressa…. sei que ainda virão muitas noite difíceis, muitas mamadas noturnas, muitos dentes pra nascer, mas ainda que ela passe um tempo comigo no colchão, aqui não há risco. E enquanto isso ela se adapta ao berço e eu aproveito pra fazer um chamego no mais velho aqui do lado, ele tá precisando e eu também! Quem sabe o próximo passo é cada uma dormir no seu canto?! E quando der saudade dorme tudo junto de novo, porque é bom demais!

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