O primeiro dia de aula – dia 277

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Duzentos e setenta e sete dias, Laura chegou aos nove meses, mas hoje o dia foi dele, do meu menino, já com cinco anos! Como é importante que o mais velho tenha os seus momentos de protagonismo nessa fase, e hoje foi assim, hoje foi seu primeiro dia de aula em um grande colégio.

Depois de 3 anos numa creche escola, achamos por bem troca-lo de escola ainda antes do fim da educação infantil, para facilitar a adaptação e a familiarização com a escola mesmo antes do processo de alfabetização. E hoje ele acordou ansioso, mal podia esperar para sair com sua mochila nova, pediu o almoço ainda pela manhã. Na hora certa saímos os três, ele, Laura e eu! Ele orgulhoso carregando a mochila quase maior que ele pelo caminho e eu apreensiva…. como seria a entrada, como seria a despedida?!

Era a primeira vez num colégio grande, do tipo dos que eu frequentei quando pequena, e eu me lembro bem da sensação de chegar a uma escola nova, eu me lembro disso lá pelos 8 anos, imagina ao 5! Chegamos ao pátio externo da escola, “mamãe é cheio né!”, sim estava cheio, cheio de crianças dos seus 8 a 10 anos que àquela altura me pareciam enormes, imagina para ele! Mas ele assim meio ressabiado, observava tudo, fazia perguntas sobre por onde entrava, de onde viriam as professoras, mas se mantinha firme no seu caminhar arrastando a mochila!

Eu de cá pensava, era a primeira vez em que ele ficaria por 4 horas sozinho num ambiente novo em meio a rostos desconhecidos. Diferente da primeira escola aqui não coube nenhuma adaptação previa. E justo ele que quando pequeno custará a se integrar à turma, passava as festas nos puxando pela mão. Ele, que nunca foi de participar das recreações, mas que em três anos se desenvolveu tanto, foi o belo rei na apresentação do maternal 2, e cresceu sociável e independente. Como se comportaria agora afinal?

Chegamos ao pequeno portão, por onde ele entrou sem vacilar, mas não sem antes me dar um beijo estalado, do tipo que leva uns segundos a mais, e beijar também a irmã. Eu do lado de cá da mureta a meia altura que me permitia vê-lo ir de mãos dadas com a professora. Logo que que tantas vezes o deixei chorando na outra escola, e sem vacilar virei as costas para a porta de vidro leitoso que se fechava sem me deixar ver nada. Logo eu, hoje enchi os olhos de lágrima. Ah! Ele tinha sido tão forte, eu não precisava ser dura, podia me deixar amolecer. E lá no fim quando dobrou a curva ele deu uma breve olhadela para trás, e o coração de mãe nessa hora se aperta, mas ao mesmo tempo se agiganta de orgulho, e de amor!

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