Que mãe sou eu?

Uma carta ao meu marido: sobre o amor depois dos filhos!

Hoje enquanto voltava de levar Pedro na escola, fui apanhada pela chuva. Fresca, nem fraca nem forte, caminhei sentindo seus pingos, curtindo seus pingos, e enquanto caminhava pensei em quantas chuvas apanhamos juntos, meu marido e eu. Quantas chuvas de lavar a alma, tantas outras de inundar a vida, quando precisamos remar juntos para atravessar a tempestade. A vida a dois não tem sido fácil depois dos filhos, então decidi escrever esta carta ao meu marido.

carta ao meu marido

Carta ao meu marido

 

Eu não tenho tido tempo para você, não temos tido tempo para nós dois… muitas vezes não tenho tempo nem dizer que te amo, de te chamar de amor. E olha que não leva mais que uns segundos, mas é que o tempo anda me pregando peças ultimamente, ele corre tanto, que me esqueço que certas coisas não tomam tempo.

A vida não tem sido fácil depois que as crianças nasceram, os momentos a sós são cada vez mais escassos, a última viagem então, éramos recém casados. O romance anda esquecido, mas a parceria não! Ambos nos transformamos no momento em que seguramos o primeiro filho nos braços, e se a paternidade nos fez piores amantes, ao menos vem nos fazendo melhores companheiros a cada dia. E mesmo não falando, eu reconheço isso todos os dias. Eu reconheço o amor entre outros gestos, tão corriqueiros e cotidianos, tão diferentes das mensagens melosas trocadas pelo celular, das dedicatórias nos livros ou dos presentes inesperados de outros tempos.

O amor depois dos filhos não tem glamour, ele está lá quando eu me levanto após horas tentando colocar a Laura pra dormir e quando chego à área percebo que você já estendeu a roupa pra mim, mesmo sem que eu pedisse. Ele estava lá quando os planos de comemoração dos nossos seis anos de casamento foram pelo ralo no momento que minha mãe ligou avisando que o Pedro estava passando mal. Estava lá quando você cuidou dele, limpou o vômito, trocou a roupa de cama, enquanto eu mal aguentava minha própria barriga aos quase nove meses de gestação! Ele está lá quando olhamos para as duas versões misturadas de nós!

Eu sei também que é preciso mais do que isso, que é preciso um esforço para olharmos um para o outro novamente, e peço desculpas por isso. Mas me conforta saber que continuamos olhando na mesma direção. E agradeço todos os dias por você compreender isso. Agradeço todos os dias por envelhecer ao seu lado. Juntos ganhamos rugas, cabelos brancos e alguns quilos (na verdade muitos!), perdemos horas de sono e de liberdade, mas também ganhamos cumplicidade, intimidade e maturidade.

Leia também Casamento e filhos, é preciso dividi-los! 

 

Nosso dia a dia com filhos não é só de flores, brigamos por coisas tolas, talvez até mais do que antes. Estamos cansados, gastamos a paciência com eles, descontamos um no outro. Mas também nos aguentamos, nos toleramos, nos perdoamos, nos entendemos. Nem sempre lembramos de dar as mãos, quase sempre ocupadas com filhos, bolsas, sacolas, carrinho…. mas sempre caminhamos lado a lado. Muitas vezes quando sobramos a sós, por alguns minutos no fim do dia, preferimos o silêncio a conversa animada de antes, preferimos uma troca de olhar às gargalhadas. O “onde vamos hoje?” virou “o que tem pra jantar?”, o “o que você quer da rua?” virou “tá precisando de alguma coisa?”…. sim, estamos sempre precisando de alguma coisa, sempre precisando um do outro, mesmo que o que queremos esteja meio esquecido no momento.

Os anos estão passando, eles estão crescendo, logo teremos tempo novamente. Logo a vida muda, e já mudou tantas vezes ao longo desses anos. Obrigada por sonhar os meus sonhos, por dividir os seus, por fazer dos seus e dos meus sonhos nossos planos. E principalmente, por entender que os planos às vezes mudam, às vezes são deixados de lado, às vezes furam, e muitas vezes precisam esperar. Obrigada por esperar comigo!

Te amo!

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: