Um quarto para dois filhos – dia 313

Categorias: 1000 dias de mãe

Trezentos e treze dias, há 313 dias o quarto do Pedro deixou de ser só dele e passou a ser o quarto das crianças. Bem na prática isso só aconteceu mesmo há bem menos dias, talvez uns dois meses, quando finalmente passamos a dividir um quarto para dois filhos.

Quando engravidei, e principalmente quando descobri que era uma menina, muita gente me perguntava como seria essa questão do quarto para os dois. Na verdade isso nunca me preocupou, talvez porque não houvesse opção, moro num apartamento de dois quartos então não havia o que pensar. Ou talvez porque eu tenha dividido quarto com a minha irmã a vida toda, e ela é nove anos mais velha. Sobre o fato de ser um casal, sem duvida será um problema no futuro mas não foi no início.

Quem já me conhece um pouco deve imaginar que não fiz um quarto temático para o Pedro, nem sequer decorado. Não sou suficientemente planejada nem organizada assim, nem tampouco ligo para visual, sou mais prática. Por isso não havia muito o que adaptar ou transformar. A mudança mais significativa foi colocar o berço. Na verdade temos aquele modelo que o berço é montado em cima de uma bicama. Pedro já dormia na cama há alguns anos, precisamos remontar o berço e transferi-lo para a cama de baixo. Fizemos isso com meses de antecedência para que ele se habituasse, e tratamos o tempo todo como uma grande novidade dormir na cama nova sem grade, para que ele não associasse a perda da cama dele à chegada da irmã. O quarto era simples, tinha móveis para brinquedos coloridos, ganhou um berço com kit berço branco e rosa, ganhou um porta treco pendurado perto do trocador e continua com super-heróis na sapateira pendurada na parede, aliás Laura adora!

quarto para dois filhos

Até aí foi fácil, mas tem a rotina tão diversa de um bebê é uma criança de cinco anos, tem a hora de dormir, os brinquedos espalhados, enfim…. Desde o início planejei que Laura dormiria em meu quarto até os seis meses, e acreditei que assim teria resolvido a questão mais complicada que seria a hora de dormir e as mamadas noturnas. Ingenuidade minha achar que seriam suficientes seis meses! Ela acabou ficando oito meses comigo.

De fato nos primeiros meses o quarto continuou sendo dele, Laura ainda não brincava, passava o dia na sala comigo, eventualmente dormia no berço do quarto a tarde quando ele estava na escola e à noite dormia comigo. Mesmo quando ela começou a sentar e se interessar pelos brinquedos, mantive o cantinho dela na sala pra facilitar e não atrapalhar as brincadeira do irmão. Mas quando começou a engatinhar não teve mais jeito, inclusive porque o quarto é mais seguro. Mesmo que pra isso eu tenha precisado rearrumar todos os brinquedos, dificultando o acesso aos menores ou até mesmo sumindo com alguns dali.

E assim, no dia a dia, a resistência em deixar a irmã mexer nos seus brinquedos foi sendo quebrada aos poucos. Muitas vezes ele ainda pede que eu a coloque no berço para jogarmos alguma coisa sem que ela queira comer as peças e sentar no tabuleiro…. às vezes atendo outra explico que é melhor escolhermos uma brincadeira que ela possa participar e assim eles vão aprendendo a conviver. E afinal é esse o maior legado de se ter irmãos, não é mesmo?!

Mas o bicho pega mesmo e na hora de dormir. Tentamos por cerca de um mês. A ideia era colocar Laura na cama antes dele, eu vinha com ela pro quarto enquanto ele assistia um pouco de TV na sala já de banho tomado e de pijama. Como antes fazia no próprio quarto. Só que Laura frequentemente leva horas para dormir e quando percebi estava eu quase todos os dias colocando os dois juntos pra dormir, sendo que uma precisa de escuro quase total e o outro tem medo; uma dorme com música é mais nenhum outro barulho e outro liga o tablet ou quer história ou fala sem parar; um sendo desfraldado se molha à noite, é trocado, carregado, vestido e não acorda, em compensação ela desperta e leva umas duas horas pra adormecer novamente …. estava difícil!

Se Laura já tem dificuldade de pegar no sono, com ele por perto então era ainda mais difícil. Quase sempre ele se cansava de esperar ela dormir para que eu pudesse lhe contar a história e acabava dormindo a despeito do choro dela. Por fim na semana passada, no meio desse louco ritual para dormir, ele me disse ” eu queria que voltasse a ser como antes, a Laura lá com você e o papai aqui comigo!”. Expliquei que dormir com a Laura na minha cama estava perigoso, mas que ele poderia ir para o meu quarto dormir com o papai se assim preferisse e que mais tarde o papai o traria para sua cama. Troca feita, voltamos ao esquema meninos e meninas que funcionou por meses, agora com os quartos invertidos, e seguiremos assim enquanto funcionar!

 

Leia também em Aprendizados de Mãe a experiência da Gabriela, mãe do Pedro e da Olívia – Irmão dividindo o quarto – relato.

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