Que mãe sou eu?

Parar de trabalhar para ficar com os filhos: expectativa x realidade

Há dois anos atrás eu escrevi um texto listando todos os motivos que me levavam a planejar parar de trabalhar fora. Hoje, vivendo em casa com eles há quase um ano (contando a licença maternidade) e tendo começado a trabalhar mais efetivamente pelo blog há uns cinco ou seis meses, decidi fazer uma análise de todas as minhas expectativas. Voltar a lista original e olhar item por item com a racionalidade de quem agora vive essa realidade na pele dia a dia, e não mais com o olhar otimista de quem sonha parar de trabalhar para ficar com os filhos.

Leia aqui o texto original Porquê parar de trabalhar (fora) está nos meus planos desde que meu filho nasceu

 

Desde que meu primeiro filho nasceu eu tinha esse plano, e durante muito tempo pensei em como viabilizar isso já que não poderia abrir mão do meu salário e também tinha um certo receio de me sentir perdida à medida que eles crescessem. Apesar da vontade de cuidar da família, um futuro a longo prazo como dona de casa me parecia sem horizonte. Logo eu, que trabalho desde os 18 anos, que saí de casa antes mesmo de me casar, que era até um pouco workaholic antes da maternidade. Tinha medo de me frustrar, me sentir sem utilidade depois que os primeiros e mais intensos anos passassem. Assim o blog foi criado e tocado como um hobby por dois anos até que eu pudesse fazer dele um trabalho. Um trabalho conciliado com a criação dos meus filhos, sempre em primeiro plano. Tudo foi cuidadosamente planejado porque eu trabalhava em um projeto com data para acabar, e eu já sabia que em 2017 estaria sem emprego.

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Parar de trabalhar para ficar com os filhos: expectativa x realidade:

 

  1. Tempo. Eu continuo não tendo tempo para nada, mas não há como negar que a quantidade aqui faz sim toda a diferença! Embora eu faça tudo correndo, e continue sem tempo para mim, de fato eu tenho muito mais tempo com meus filhos hoje. Tempo durante as refeições, tempo durante a caminhada para a escola, tempo até para brincar quando eu resolvo me permitir. Não tenho qualidade 100% do tempo. Fico estressada, cansada, perco a paciência, tanto ou até mais do que antes. Como escrevi da primeira vez é matemática. Tendo mais horas com eles, tem sido mais fácil para mim usufruir de algumas delas com qualidade.
  2. Autonomia. Se eu dissesse que eles são prioridade da hora que eu acordo a hora que vou dormir estaria mentindo. Muitas coisas concorrem com a atenção que dou a eles, as tarefas da casa, as ações do blog, o celular…. Mas a decisão de deixar tudo de lado é minha, quase sempre, só minha. Isso é autonomia! Faço isso sempre? Não, mas já fiz diversas vezes, porque foi necessário, ou só porque me deu na telha mesmo.
  3. Presença. Faz mesmo uma enorme diferença, mas há um custo. Percebo que ao mesmo tempo que minha presença faz bem a eles. Que tenho a oportunidade de ensinar através dos exemplos e de reforçar valores e conceitos a cada dia. Eles também ficam mais expostos aos meus defeitos, à minha impaciência, ao meu cansaço….
  4. Organização. A quem eu estava enganando?! Eu definitivamente não sou organizada. Trabalhar de casa, cuidar da casa e com duas crianças por perto não poderia tornar as coisas mais fáceis né?! Continuo com a sensação de estar correndo atrás do próprio rabo. Sempre uma lista interminável de coisas pra fazer. Continuo devendo a programação das férias, a arrumação das fotos, aliás nem a dos armários eu terminei…. Mesmo estando em casa não é fácil equilibrar a balança. Ainda sobram tarefas para os fins de semana. Dar conta de tudo é utopia!
  5. Realização. Aqui não cabem dúvidas. Assim como no trabalho eu tinha queixas e me aborrecia, em casa não é diferente. Falta reconhecimento e estou sempre reclamando de alguma coisa. Mas apesar de todo o cansaço, do esgotamento emocional de passar dias e dias ouvindo choro, gritos e mamãe sem parar, de ser interrompida mil vezes, de repetir tudo outras mil….. apesar de tudo isso, a realização é impagável. Quase tudo é feito mais por prazer do que por obrigação.
  6. Foco. Trabalhando em casa conseguir foco é quase impossível. Por outro lado, de um jeito ou de outro a gente aprende a fazer um bom trabalho, mesmo caindo de sono no meio da madrugada, mesmo parando para amamentar, mesmo com uma criança falando sem parar por perto. Mesmo que eu me frustre por não ter tempo de executar todas as ideias que consigo ter, sinto que não estou perdendo nada em relação a eles e isso me conforta.
  7. Liberdade. Continua sendo um sonho…. quem sabe quando Laura for para a escola! Sim, eu ando pela rua em horário comercial, mas quase sempre carregando uma criança; eu até conseguiria tirar uma soneca ou almoçar em silêncio eventualmente, mas estou sempre correndo para utilizar o tempo que ela dorme para fazer o máximo, e aproveitar mesmo é raro, raríssimo. Na verdade até sinto um pouco de falta do silêncio do escritório, do almoço com as amigas, de andar de metrô sem filhos…. Liberdade definitivamente não é compatível com a dedicação exclusiva, ao menos não enquanto são bebês.
  8. Ter menos. Sem dúvida minhas necessidades diminuíram absurdamente, estou para fazer uma limpa no armário daquelas de mandar metade para a doação. Um tanto de roupa que não gosto ou estão velhas, e que não preciso mais usar. Para o meu dia a dia, 2 ou 3 bermudas e meia duzia de camisetas bastam, e para sair, as poucas peças que eu realmente gosto dão conta. Bolsas, sapatos, acessórios… todos eles trocados pela boa e velha combinação havaiana + jeans + camiseta e rabo de cavalo de todo dia. Me sinto leve!
  9. Compromisso. Se comprometer com a maternidade é algo que pode e deve ser feito à maneira de cada uma, não significa abrir mão de si mesma, e nem mesmo necessariamente parar de trabalhar. Mas à minha maneira, intensa e irrestrita, tem sido mais fácil e também mais compensador poder me dedicar à eles em tempo integral.
  10. Blog. O que era algo pra chamar de meu, uma saída para a realização profissional, uma rota de fuga do ócio e do tédio e também um fonte de renda alternativa. Tem se revelado muuuuito trabalho! Talvez esse seja o meu jeito, talvez eu não saiba fazer de outro jeito…. às vezes eu gostaria de pegar mais leve, às vezes eu me pergunto se o faria se não tivesse necessidades financeiras…. mas quer saber? O prazer de fazer o que gosto, o orgulho de ver meu projeto dar certo me faz tirar energia de onde não há, me faz ter fôlego pra muito mais!

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