Que mãe sou eu?

Maternidade x trabalho: conflito eterno – dia 316

Trezentos e dezesseis dias, há 316 dias eu encerrava de vez esse meu conflito interno…. Nunca mais chegar tarde do trabalho com os filhos já dormindo. Nunca mais perder a festinha do amiguinho no sábado à tarde, a aula aberta de futebol ou se sentir ausente por estar exausta. Pelo menos assim eu acreditava. Afinal eu parei de trabalhar para os outros, passei a trabalhar para mim tentando solucionar o conflito maternidade x trabalho.

Eu sei que muitas pessoas não entendem porquê para mim sempre foi tão difícil conciliar essas duas coisas. Talvez para muitas profissionais não seja mesmo. Na minha área é. Não é fácil conciliar a vida da mãe que eu gosto de ser com a vida da profissional que eu sempre fui. É difícil quando seu trabalho tem hora de entrar mas não de sair, quando não tem dia, quando não depende de você…. Esses dias uma amiga pegou um freela e largou após virar a noite no trabalho enquanto seus filhos dormiam em casa. Eu fiz isso inúmeras vezes antes de ter filhos, depois de ser mãe nunca mais tive estômago.Mas em compensação me sentia devendo, como se não estivesse dando o meu melhor! E por fim eu não era nem a profissional e nem a mãe que eu queria ser, eu nunca me sentia inteira.

Muitas mães trabalham à noite, médicas, enfermeiras, bombeiras, policiais e tantas outras. Mas são esquemas de plantões compensados com horários livres durante o dia, durante a semana. Seus filhos crescem com essa rotina, entendem. É bem diferente de ver a mãe sair pra trabalhar de manhã, esperar que ela volte no fim do dia, e ela não voltar. É bem diferente de quando não é rotina mas é mais frequente do que os plantões. Pois é, a vida de muitas mães que trabalham em áreas como eventos (a minha) e publicidade (a da minha amiga) é assim!

Mas então eu decidi empreender, ter autonomia sobre o meu trabalho e meus horários, fazer dos meus filhos prioridade! Claro que ser chefe de si mesma faz toda a diferença, já larguei tudo pra lá inúmeras vezes. Mas qualquer trabalho é compromisso, se não é com o chefe, é com vocês leitoras, é comigo, com minhas metas, com minhas sócias. E essa semana tem sido puxada! Trabalhei madrugadas em que realmente queria ter dormido com a minha filha. Perdi a paciência com meu filho porque estava cansada e não era culpa dele, era só trabalho demais!

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Essa semana eu senti saudades das tardes da licença maternidade. Quando eu finalmente terminava o trabalho da casa e sentava na frente da TV com uma caneca de café com leite para ver vale a pena ver de novo. Eu senti saudades das manhãs na cozinha ouvindo música. E chegou a sexta-feira, fui levar Pedro à escola, atrasada pra revelar uma foto da família solicitada na terça. Chego lá e descubro que a festa da família será sábado dia 25! A primeira festa na escola nova, no único dia em que eu, que não trabalho tenho um compromisso de trabalho que não posso faltar, o lançamento do Liga Materna. O time de blogs do qual faço parte, o projeto que eu idealizei! Antes que eu pudesse raciocinar, as lágrimas rolaram pelo meu rosto, o cansaço de semanas chorado ali. Mil questionamentos se passaram na minha cabeça…. de novo o confronto, de novo o trabalho! Até que finalmente caí em mim e resolvi ver que horas seria a festa…. ufa! Será de manhã! Vou correr como louca mas vai dar tempo!

Ainda assim, pela primeira vez me dei conta que mesmo empreendendo, essas situações ainda vão ocorrer, mesmo que em escala infinitamente menor, mesmo que por muito mais vezes eu possa escolher. Em outras não haverá escolha. E em algumas delas a escolha será dolorida, porque quando se tem um negócio, ele é também como um filho. Eu iria a um evento em São Paulo em maio, mas é no dia do aniversário da Laura, não vou! Eu queria ir, mas não há dúvida. Escolha feita!

A diferença é que a escolha agora é minha, mas elas continuam existindo, elas sempre existirão, elas precisam ser feitas!

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