Que mãe sou eu?

Carta para mães de segunda viagem

Há uns dois anos atrás após um chá de bebê no trabalho escrevi para minhas amigas grávidas tudo aquilo que eu realmente tenho vontade de dizer quando uma amiga se aproxima do momento de se tornar mãe. Desde então sempre mando esse texto quando descubro que alguma amiga está esperando seu primeiro filho.

Hoje passando os olhos pela minha timeline me dei conta que duas antigas colegas de trabalho estão grávidas, ambas esperam o segundo filho, ambas mães de menino, esperam agora uma menina, exatamente como aconteceu comigo. Então pensei que também gostaria de dizer um monte de coisas a elas, que são tão diferentes das coisas que um dia escrevi para as mães de primeira viagem, o papo agora é outro….

A essa altura você espera ansiosamente por ter o caçula em seus braços, a gravidez pareceu uma eternidade e embora não tenha sido igual a outra, nunca é, nada é…. também não foi assim nenhuma grande novidade, o que só aumenta sua vontade de que acabe logo e chegue logo o dia esperado, de ter sua família completa. Você já é mãe, já sabe o que vem pela frente, aquele medinho, aquele receio que a vida vire de pernas pro ar, passou longe, você não vê a hora de curtir de novo um bebê, cheirar um cangote, segurar aquele corpinho inteiro no colo, amamentar, sentir o bafinho de leite….

Mas então chega a hora, e tudo bem se bater medo, o medo agora é outro. Ao entrar na sala de parto ou no centro cirúrgico, vai passar um filme na sua cabeça e você vai pensar no filho que ficou aqui fora, você já é mãe, e a essa altura você vai pensar que precisa voltar pra ele. E você vai voltar, mas nada será como antes. Então antes disso, antes de ir para a maternidade, abrace seu filho mais velho, registre esse momento.

Por mais que pelo resto da vida você tenha a certeza de que seu coração nunca estaria completo sem os dois, algumas vezes você vai sentir saudades de quando seu mais velho era único. Aproveite os últimos meses só com ele, aproveite enquanto seus olhos podem olhar apenas na direção dele, aproveite para contar histórias sem ser interrompida, para conversar sem choro por perto, aproveite para segura-lo com as duas mãos. Registre a exata impressão que você tem dele agora, seu tamanho, sua idade, seu nível de desenvolvimento. Não importa a diferença de idade entre os dois, quando você voltar para casa com o mais novo nos braços, ele terá deixado de ser seu bebê, mas lembre-se que no fundo ele não terá mudado tanto assim, não terá crescido e nem amadurecido como aos seus olhos poderá parecer.

Mas e o bebê? E sobre ele? Sobre o segundo filho, bem…. crie expectativas, use seu instinto já aflorado, coloque em prática todo o seu conhecimento, mas esteja preparada para surpreender-se, permita-se recomeçar, reaprender, fazer de outro jeito. Os filhos são diferentes, e tudo bem se você também já não for a mesma mãe. Você também mudou. Talvez seja mais fácil, talvez se sinta mais confiante ou mais cansada, talvez tenha mais paciência ou não. Talvez tenha aprendido com os erros, ou talvez os desafios sejam completamente novos e diferentes agora. Lembre-se como passou rápido da primeira vez, curta!

Outro parto, outro filho, mas os mesmos hormônios. No puerpério de pouco valerá sua experiência, apenas pelo fato de que você já sabe como isso funciona… então sinta! E deixe passar!

E por fim, acredite, sua vida será revirada de novo, o mesmo amor avassalador irá de te preencher e virar do avesso. Não se trata apenas de ter mais um filho, mais um bebê pra cuidar, mais uma criança com que se ocupar, ser mãe novamente é amar como se fosse o primeiro novamente, de um jeito ao mesmo tempo tão igual em intensidade é tão único em identidade. É descobrir que dois filhos, ou quantos forem, ocupam sim o mesmo lugar no nosso coração.

2 comentários sobre “Carta para mães de segunda viagem

  1. Chorei, claro… ainda tentando me encontrar mãe de dois. De um lado a culpa por não ter tanto tempo para cuidar e estar com o mais velho. Por outro a culpa por não ser integralmente da bebê como foi com meu primogênito. Ser uma mãe tão diferente… 😓

    Em contrapartida tem momentos entre os dois, ou quando todos brincamos juntos, quando qualquer um dos dois sorri para mim ou entre eles que eu sinto que tudo é exatamente como deveria ser. E que a relação que os dois estão criando faz tudo valer a pena.

  2. Fernanda Pereira

    Lindo texto! Emocionante! É assim mesmo. As vezes sinto falta de ter só o meu mais velho pra cuidar. Me sinto culpada por ter que dividir a atenção e os cuidados que antes eram só dele. Por outro lado, o amor pelo segundo é imenso e intenso. Aí percebi que a solução era me reinventar como mãe e aprender a cuidar, amar, paparicar, educar, tudo em dose dupla. E não é que a gente consegue?! rsrsrs

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