Mãe também se sente carente! – dia 363

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Trezentos e sessenta e três dias, o recesso foi longo, precisei desse tempo. Mas à medida que os 365 dias se aproximavam, eu pensava “preciso voltar a escrever”, e foram tantos os assuntos que me passaram pela cabeça nesses dias, tantas coisas a compartilhar, a dividir, a desabafar…. Mas a verdade é que há alguns dias eu tentava retomar os relatos, mas faltava tempo, no tempo que tinha sobrava sono…. e bem quer saber, faltava mesmo ânimo, vontade!

mãe também se sente carente

Laura vai fazer um ano! Eu me lembro de achar que essa era mesmo uma das fases mais cansativas, eu me lembro que a essa altura as noites de sono interrompido começavam a pesar, que os dias andando atrás se faziam sentir nas costas e nas pernas, que a vigilância constante para que não trepem nas cadeiras, não se joguem do sofá, não engulam o que não devem, não mexam onde possam se machucar… enfim, esse estado de alerta constante exaure! Eu lembro de tudo isso, mas reviver tudo isso agora, 5 anos mais velha, com um mais velho cobrando atenção, sem ajuda com as tarefas domésticas e sem as horas de “descanso” no trabalho fora de casa…. agora tem me parecido 10 vezes mais difícil.

Mais do que o cansaço, bateu desanimo, solidão e carência. Sim, eu me lembrava do cansaço, mas não da carência. Talvez porque não a tenha sentido. A essa altura eu estava bem ocupada em sentir falta do meu filho nas horas que passava longe dele, não tinha dado tempo ainda de sentir falta de mais nada, de mais ninguém. Mas hoje, aos 363 dias de maternidade exclusiva e intensiva, eu sinto falta da rua, das pessoas, de qualquer conversa….. Falta de falar de mim e não deles, falta de que perguntem por mim e não por eles. Bateu saudade das amigas, da conversa de corredor, durante o almoço ou esperando o metrô …. E olha pra mim, andei caçando conversa na porta da escola, na fila do banco, no elevador, na portaria…. mas não dá pra falar com essas pessoas que de repente o dia é um corre corre infinito, e dar conta está cada vez mais difícil, e que a vontade que falta pra escrever, falta também pra cozinhar, pra lavar roupa, pra ir ao supermercado. Sabe quando você quer pegar o telefone e ligar pra melhor amiga e falar por horas, como na adolescência? Mas você nem sabe mais como fazer isso… que horas? Pra qual amiga? Quem entende não tem tempo e quem tem tempo não me entende. Hoje ninguém mais se liga, então gravo um áudio no whats app, mas não é a mesma coisa.

E então lá vou eu buscar o mais velho na escola, esperando que aquele abraço dele preencha todo esse vazio. E é só uma fase, eu sei, uma fase que não dá tempo de se divertir, que o tempo é todo deles, a diversão é toda por eles, o amor é todo pra eles….. Vai passar, eu sei! Daqui a dois dias eu vou olhar para esse ano que passou com outros olhos, vou olhar para esses mesmos trezentos e tantos dias e vou relembrar os sorrisos e gritinhos que os preencheram, vou comemorar sua saúde, sua alegria e sua sapequice. E daqui uns anos talvez eu nem me lembre que um dia fui eu quem chorei por colo, porque mães também se sentem carentes, mas mães esquecem…..

 

 

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