Está mais difícil ser mãe hoje em dia?

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Outro dia escrevi rapidamente um pensamento raso sobre ser mais difícil ser mãe nos dias atuais do que no tempo das nossas mães. Bem, em verdade sobre ser mais difícil criar os filhos…. ser mãe é e sempre foi difícil a qualquer tempo. De fato o assunto merece uma reflexão mais profunda, mas de fato também, as novas tecnologias tem tudo a ver com isso. Ao passo que facilitaram a vida, reduzindo o tempo ou eliminando tarefas simples, entretendo e ocupando…. elas também criaram uma série de novas tarefas e necessidades que antes não tínhamos. Basicamente um excesso! Excesso de tudo, de opções, de demandas, de estímulos e de necessidades…. para nós e para eles, nossos filhos. Excesso que toma tempo, tempo que parece correr cada vez mais rápido, porque sim, fazemos cada vez mais coisas.

 
Aí num outro momento eu li em algum lugar… “pelo menos hoje temos as redes sociais para encontrar apoio e informação, imagina no tempo das nossas mães”…. bem, eu acho que no tempo das nossas mães a rede de apoio era real, de carne e osso, mãe, irmã, vizinha, amiga, tia, prima, cunhada….. uma comunidade inteira. Nós, mães de hoje somos dependentes das redes sociais porque a vida moderna é cada vez mais solitária, e o maternar solitário é difícil, difícil demais! A internet encurtou as longas distâncias, globalizou o macro e criou novas distâncias onde não haviam, isolou o micro, vivemos em pequenas ilhas. E já diz o ditado “é preciso uma vila pra criar uma criança”.
Isso sem falar nos excessos encontrados nas redes, e olha ele aqui de novo, excesso de informação, de radicalismo, de problematização, de patrulha. E tudo isso ao alcance das mãos o tempo todo, em uma tela de celular! Eu não sei se trabalhamos mais do que nossas mães, mas elas não carregavam o trabalho consigo, não checavam e-mails no fim de semana e nem respondiam o chefe pelo WhatsApp a qualquer hora. E certamente perdiam menos tempo no deslocamento casa x trabalho, e olha, também não perdiam tempo nas redes sociais!
E sem falar no quê e quanto as crianças absorvem disso tudo, sendo também mais aceleradas, mais exigentes, mais impacientes, mais questionadoras. Bombardeadas por estímulos e informações, temos que ensiná-los a processar tudo isso quando nós mesmas ainda estamos aprendendo. Somos uma geração criada sem tanto espaço, sem voz e sem escolha, estamos buscando novos caminhos para a educação. Diálogo, apego, compreensão, damos espaço, permitimos escolhas, estimulamos o pensar, aliás nossas crianças são estimuladas e até induzidas a pensar e questionar por tudo e todos que os cercam, mesmo que não por nós. Filhas de pais exigentes e rigorosos acabamos por nos tornar mais exigentes e rigorosas conosco no papel de mãe do que com nossos filhos, e cada vez menos compreensivas também umas com as outras.
Por outro lado, somos também mais protetoras, crianças cada vez mais tutelados. E como não ser, com tanta violência em volta? Como deixá-los soltos com tanta história horrível que passa aos nossos olhos, contadas e divulgadas incessantemente nas redes sociais (olha o excesso aqui de novo!). Não sei o quanto o mundo está mais violento, mas com certeza temos mais conhecimento sobre a violência.
Com todo esse ônus que veio com os bônus, talvez esteja mesmo mais difícil criar filhos hoje, ou talvez só pareça, talvez só se fale mais no assunto. Talvez nossas mães tenham esquecido de nos contar as dificuldades, afinal mães esquecem. Claro que dificuldades existiam, muitas outras que nós nem imaginamos, mas não ficou mais fácil só por causa das fraldas descartáveis, da Internet, dos tablets, espaços kids em shoppings e restaurantes, recreações nos hotéis, etc …… ah não ficou mesmo! Como eu disse no trecho que inspirou esse texto, até ligar a TV e escolher shampoo está mais difícil!

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