A maternidade precisa ser uma bolha? – dia 386

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

Dia 386. Ainda sobre ontem, quando me toquei sobre como é me sentir em uma bolha quando várias amigas estão postando fotos e comentando sobre um show de um artista que eu sequer sei quem é. É isso mesmo? A maternidade nos aprisiona em uma bolha em que perdemos a conexão com parte da realidade?! E precisa ser assim?

a maternidade

Fiquei pensando há quanto tempo não vou a um show, o último foi o Rock in Rio de 2013, Bon Jovi! E cinema? Bem, fui mês passado no aniversário de casamento, mas nos últimos 5 anos, conta-se em uma mão quantas vezes encarei a telona sem ser para ver um filme infantil. Festa? Assim, festa de verdade, de adulto, à noite, sem recreação, sem pipoca, sem ser alguma comemoração familiar….. a última foi um casamento em 2015. E a vida vai acontecendo, os dias se passando, os meses, os anos e agente nem sequer percebe a falta que isso tudo faz. Mas então porque me deixar submergir nessa bolha?

Então você me diz que mesmo sendo mãe não deixou de sair, de ir ao cinema de ter vida social…. eu acredito, também conheço várias mães que conseguem não abrir mão de si mesmas, que conseguem equilibrar os pratos, e nem por isso são melhores ou piores mães do que eu, mais ou menos presentes, não necessariamente. Acho que antes de tudo, antes mesmo da questão das prioridades, do apego e , há uma questão de planejamento e organização, e ambas me faltam. Sempre me faltaram, depois da maternidade, então…. Claro que cada família vive um contexto, aqui a primeira barreira prática é a questão de com quem deixar as crianças, não temos ajuda contratada em nenhum grau, a única fonte de vale-night por aqui é a vovó! A mesma vovó que socorre no dia a dia, nos eventuais compromissos de trabalho, consultas médicas, reuniões escolares…. a mesma vovó que socorre outros filhos e netos, então a agenda é bem concorrida. Esse contexto por si só torna tudo mais difícil, e ainda mais imprescindível a organização e o planejamento.

Somado a tudo isso vem a questão do hábito, sabe o que é? Eu perdi o hábito de sair…. quando a gente perde o hábito de fazer alguma coisa ela deixa de ser natural, instintiva, e a gente vai deixando de sentir falta, a gente aprende a viver sem aquilo… Ir ao cinema, por exemplo, nós amamos, mas nunca estamos por dentro dos filmes, nem dos horários, quando pinta uma chance, a gente chega lá na hora pra comprar e tá lotado, ou não tem nenhuma sessão no prazo de tempo que temos livres, ou pior, nenhum filme interessa…. Então pinta uma festa, assim de uma hora pra outra, não tenho nem o que vestir, de verdade, não tenho mesmo! Aquele show que está anunciando, e que se eu não comprar o ingresso com meses de antecedência vai esgotar…. pois é, meses de antecedência, vai saber se vou conseguir quem fique com eles, vai saber se vamos poder ir…. já deu preguiça! Isso sem contar no financeiro da coisa, que quase sempre acaba fazendo diferença na balança dos prós e contras.

Não, a maternidade não precisa ser uma bolha, mas por vezes é mais cômodo que seja. E sob a justificativa do “é uma fase” e “vai passar” nos deixamos ficar presas nela. Eu confesso, demorei a sentir falta, demorei a me dar conta que sentia falta, mas quando a bolha estava começando a dissipar veio Laura, e o pouco tempo que respirei fora dela foi o suficiente para sentir mais falta agora do sentia antes. E então cabe apenas a mim me organizar, mudar, ou quem sabe, até eu conseguir, essa fase já tenha passado….

 

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