Mãe que fica em casa: o outro lado da segunda-feira – dia 389

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Trezentos e oitenta e nove dias, há 389 eu não vivo mais a rotina de quem sai para trabalhar todos os dias, de segunda a sexta, de 9 às 18h…. na verdade eu pouco saio sem filhos. E então hoje eu saí, fui ao dentista, Laura me trouxe na porta, me deu tchau, e eu disse “mais tarde mamãe volta!”. Ao voltar, quase às seis da tarde, depois de sair daquele metrô fervilhando de gente, de atravessar a praça movimentada, de caminhar pela rua já com a iluminação se acendendo e de dar boa noite ao porteiro e dividir o elevador uma uma vizinha….. em meio a toda essa atmosfera de final do dia, impossível não lembrar dos tempos em que trabalhava, não lembrar dessa sensação do retorno, essa sensação boa de voltar pra casa ao fim do dia de trabalho.

mãe que fica em casa

Segunda-feira nunca foi um dia fácil, especialmente depois de ser mãe, mesmo depois de passados anos do retorno da licença maternidade, a cada segunda feira se repetia um pouco aquela dor da separação, aquela saudade, aquela vontade de largar tudo. E então, eu enfim larguei…. E aí? Aí que segundas permanecem sendo segundas, mesmo que às 10 da manhã eu ainda esteja de camisola com um bebê a tiracolo arrastando chinelos pela casa. Ainda que eu esteja realizada com a minha escolha, se hoje não há mais saudade em deixar alguém em casa, há um certa melancolia em não sair de casa. A cada segunda-feira é como se a escolha em parar de trabalhar for se reafirmasse. Acordar, perceber que o marido foi trabalhar e que eu não preciso sequer pensar no que vestir, não ter aonde ir neste dia é a materialização da escolha!

Leia também o texto sobre o Fim da licença e a dor da separação a cada segunda-feira!

E tem dias que isso é ótimo, razão de alívio, me faz sentir leve e livre. Em outros é monótono, entediante, me faz sentir sem perspectiva. Como dois lados de uma mesma moeda, ou eu diria até muitas faces de um mesmo cubo, esse cubo mágico que é a vida de mãe. por essas e outras, hoje ao colocar a chave na porta eu senti uma enorme saudade desse “voltar pra casa”, senti falta de ter de onde voltar, de ter as crianças me esperando. Quem dera eu pudesse sair pra trabalhar às segundas e ficar em casa o resto dos dias….. vai entender cabeça de mãe!

 

 

 

 

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