Quando os irmãos brincam juntos: o começo da parceria – dia 418

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Dia 418, há mais de quatrocentos dias Pedro ganhou uma irmã, eu ganhei uma segunda filha, mas é bem verdade que só agora Pedro parece ter ganho uma companhia. E eu começo, enfim, a experimentar os sabores e dissabores de ter filhos, no plural, no coletivo.

quando os irmãos brincam juntos

Calma, eu explico! É que no início o bebê pouco interage, e faz quase tudo à parte da família, para o filho mais velho é só mais um que chegou pra tomar o tempo e o espaço que eram seus. Aquele bebê a princípio não oferece nada em troca dele ter cedido parte de seu quarto e compartilhado um bocado de seus brinquedos. Aquela promessa de ter um irmão com quem brincar custa um pouco a se concretizar. E para a mãe, também no princípio, o segundo filho é como ter mais um filho, tudo de novo… e de repente são dois filhos, mas cada um com sua rotina e suas necessidades isoladas.
E então o bebê cresce, engatinha, anda e enfim começa a interagir. Aqui tudo começou pelas brigas, é um tal de “mae, tira a Laura daqui… coloca ela no berço, eu quero desenhar…. ” ou ainda “posso brincar de Lego na sua cama?” Tudo pra Laura não atrapalhar! E assim começaram as disputas não só pelos brinquedos como pelo lugar no sofá, pelo pacote de biscoitos e até pelo controle da TV, mesmo que ela não saiba exatamente como usá-lo. Mas aí os dias passam, a capacidade de interação dela só cresce e quando vejo estão correndo atrás da mesma bola, e o que era briga virou diversão ou estão dançando juntos em frente à TV enquanto toca a música do desenho preferido dele. E aí um dia chegamos a praça e o carrinho escolhido pra uma volta deixou de ser o simples, “vê um com dois lugares…. ” Também não demorou pra descobrir que se quero ela quieta pra poder terminar o almoço, é só pedir pra ele vir brincar com ela e ganho meia hora de bonecos espalhados pela cozinha e gargalhadas no lugar do choro.
De repente me pego levando os dois à natação e eu ganho 20 minutos pro café enquanto meus filhos estão simultaneamente na piscina! Sim, tenho filhos, assim no plural, no coletivo, que fazem a mesma atividade, brincam juntos na praça, compartilham o balanço…. e eu aqui saboreando a delicia que é vê-los brincar e se divertir juntos… e aprendendo a administrar os conflitos, a ser justa, a resistir à tentação de proteger o menor demasiadamente…. enfim, eu aqui aguardando o dia, já não tão distante, em que serei só uma coadjuvante na parceria deles!

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