Como é difícil ser a mãe que eu quero ser – dia 423

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Quatrocentos e vinte e três dias….. e começo a pensar sobre a inevitável hora de voltar ao trabalho. Não era a minha escolha, a escolha era por mais tempo, não sei se um ano, dois, ou mais…. ou pra sempre, não programei exatamente. Era uma aposta. Mas que ano incerto para apostas, que difícil cumprir metas com dois filhos pequenos que difícil ser a mãe que eu quero ser!

a mãe que eu quero ser

Sabe aquela coisa de “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, balé..”, pois é… não quero ser só mãe, quero participar, quero me realizar também, quero levar na escola, quero pagar a viagem de férias também! Não tô falando de Disney não, tô falando do hotel fazenda, do pulinho no Beto Carreiro, mas com o salário de um só, pagar conta já é apertado, imagina pagar férias. E eu sabia que abriria mão de muito, e eu continuaria a abrir de muito mais, da manicure, da roupa nova, daquela bolsa, da escova no cabelo…. mas quando abrir mão quer dizer privar os filhos, a história muda. E não, não estou falando do brinquedo ou da festa, porque a presença vale mais que isso, até pra eles…. mas de oportunidades, de futuro. O futuro é incerto, eu planejei, me preparei, mas veio a crise, e não foi só culpa  dela…. trabalhar de casa é difícil, mil idéias, faltou tempo, faltou gás pra todas elas, investi tempo e dinheiro em uma que deu errado e sigo tentando, mas o tempo passando, é preciso pensar no plano B. Quem sabe voltar a tocar tudo em paralelo, mas o futuro tá aí.

Então bora olhar o mercado, procurar…. e antes disso bora pensar na prática, como voltar? Coloca todo mundo no integral, e vai fazendo a conta…. tem que sobrar pra natação, lembra da tal oportunidade que eu falei, é sobre isso, sobre pagar a natação, o judô, o balé…. mas aí quem leva na aula às 8:10 da manhã? Dificilmente serei eu, ou então não busco na escola…. aliás quem consegue sair do trabalho pra pegar o filho na escola às 5 da tarde? No meu último emprego apesar da total falta de rotina, eu tinha absoluta flexibilidade de horário, além de trabalhar a uma estação de metrô de casa, mas como será um próximo, se e quando eu conseguir um próximo? Ok, cancela a natação, substitui pela atividade extra que a escola oferece após a aula, assim dá tempo de chegar pra buscar…. ufa, resolvido! Só que não! Depois de passar das 7:30 da manhã às 5 da tarde na escola, cadê a energia pra tal atividade extra? Já vi esse filme em poucos meses ele já não curte mais o esporte, sai cansado, reclama, dá defeito…. sem falar que deixar meus filhos na escola de 7 da manhã às 7 da noite tá bem longe daquele conceito de participar que eu falei lá no início.

A outra solução é terceirizar, mas a gente não que terceirizar. E vamos combinar, o custo também pesa, fora uma série de outras questões envolvidas. Feliz de quem tem avó pra contar, e eu tenho, mas pensa…. isso ainda dura quase uns dez anos até o Pedro ter idade suficiente pra eu dispensar qualquer ajuda. Não dá! A solução precisa ser a longo prazo, precisa caber nas possibilidades da família não só hoje mas pelos próximos anos de vida escolar. E aí que ainda que o salário pague a conta das soluções pro problemas que não existiam sem que eu trabalhasse e ainda sobre, cadê o tempo pra participar daquele jeitinho que a gente quer, cadê o buscar na escola, levar na natação, conhecer os amigos, trocar duas palavras com a professora que não seja pela agenda, cadê a maternidade que a gente quer?

O mercado de trabalho não comporta a mãe que eu quero ser, e foi por isso que eu abri mão dele, mas até quando? Faltam alternativas, faltam opções, ou pelo menos, para a maioria de nós, elas não estão acessíveis. Eu vou acabar encontrando uma solução, de um jeito ou de outro, adiando sonhos, ajustando expectativas, é assim que nós fazemos não é? Mas a sociedade precisa pensar nisso, já passou da hora.

 

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