Amigas sem filhos e o abismo entre nós – dia 542

Categorias: 1000 dias de mãe, Versos diários

Dia 542, não sei se já tinha ficado assim tantos dias sem escrever antes. Aliás essa coisa da percepção do tempo quando a medida que o tempo passa é bem louca. Essa semana eu fui encontrar duas amigas de escola, a última vez que isso havia acontecido, nós três juntas em volta de uma mesa batendo papo, eu estava grávida do Pedro, ou seja, tem seis anos!

Isso mesmo, há seis anos não nos encontrávamos as 3, nesse tempo encontrei com uma e outra separadamente e poucas vezes. Elas não têm filhos, uma delas está grávida e a outra planeja para o ano que vem. A conversa foi maravilhosa, como tinha de ser, daquelas que parece que nunca deixamos de ter, que parece que temos toda semana…. mas eu confesso, me assustou perceber que há 6 anos eu tenho uma vida muito diferente da delas! Sim, a vida é antes e depois de ter filhos, ouvi minha mãe dizer isso a vida toda. Vida de mãe é muito diferente mesmo.

Enquanto conversamos e atualizávamos umas às outras sobre nossas vidas, eu pensava que eu poderia falar das voltas que a minha vida profissional deu, poderia falar um pouco das crianças, mas ainda assim elas não saberiam como tem sido a minha vida nesses seis anos. Então eu pensei que em breve a vida delas também irá mudar, e novamente me assustava ao perceber que isso já aconteceu pra mim há seis anos!

Elas não sabem que há seis anos s minhas escolhas não são mais só minhas, e que as vezes eu sequer tenho escolha. Elas não sabem que ser mãe envelhece e que apesar de termos a mesma idade eu olho pra elas e me sinto anos mais velha. Eu olha pra elas e vejo mulheres, profissionais. Enquanto me vejo mãe de família, dona de casa, independente de ser também mulher, profissional. Independente de estar trabalhando fora ou em casa, ou nem estar trabalhando, eu sou a mãe na fila do supermercado no dia da promoção da carne. E as vejo no corredor do zona sul oi do farinha pura escolhendo o vinho, o queijo e as pastinhas pro jantar de sexta à noite.

E isso não tem nada a ver com a amizade em si, mas com a convivência sim. Porque pra conviver é preciso estar na mesma página, e nesses 6 anos eu me relacionei e convivi com muitas mulheres sem filhos, algumas se tornaram amigas, mas havia um cotidiano que nos unia. Agora, trabalhando em casa, na há mais mulheres sem filhos no meu dia a dia, simplesmente não há. Enquanto elas, provavelmente nunca nem pararam pra notar qual são as mães e não mães à sua volta. Assim como elas talvez nem tenham notado que hoje eu sou diferente. Afinal elas não sabem que hoje eu passei a manhã com uma criança chorando e me picando a roupa, à noite administrando a crise de insatisfação de outra criança que queria comer biscoitos no lugar do jantar….. e que isso acontece nos meus dias com mais frequência do que eu conto aqui no blog, com mais frequência do que elas têm reuniões chatas no trabalho, administram conflitos na equipe ou tem vontade de reclamar do chefe.

Sob alguns pontos de vista a maternidade criou, há seis anos, um abismo entre nós, por sorte os alicerces da ponte que nos une são fortes o bastante!

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