Mãe de dois: amor em dobro!

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Mãe de dois

Mãe de dois tem o coração dividido mas amor dobrado
Tem o colo repartido e sempre uma criança do lado
Atende ao mesmo tempo os dois
E se deixa pra depois
Coloca um pra dormir
enquanto o outro acorda
Escova os dentes aqui
E ali a banheira transborda
Mãe de dois tem sempre as mãos ocupadas
Uma empurra o carrinho
A outra enche uma colherada
Mãe de dois não pára nem de madrugada
E durante o dia sonha acordada
Tem saudades do primeiro
Mas não imagina a vida sem o segundo
Deseja que eles estejam sempre juntos nesse mundo
Mãe de dois nem sempre quer três
Mas nunca se arrepende de começar outra vez
Mãe de dois carrega um em cada mão
E os dois no coração 

Sono do bebê: quando ele dorme….

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Quando ele dorme

Você às vezes enlouquece com tanto trabalho que ele dá
Mas quando ele dorme você não enxerga nada além de um anjo
Você deseja mais que tudo um minuto de paz
Mas quando ele dorme o silêncio te traz uma certa inquietação
Você sente que o tempo está passando e ele está crescendo rápido demais
Mas quando ele dorme sempre lhe parece o bebê de antes
Você acha que enquanto pequeno você tem o controle
Mas quando ele dorme percebe que desde já os sonhos são só dele
Você está sempre perguntando o que está fazendo de errado
Mas quando ele dorme pensa “estou fazendo um bom trabalho”
Você está sempre esperando que ele durma para ter tempo
Mas quando ele dorme o tempo pára só para que o admire
Você algumas vezes se sente sufocada
Mas quando ele dorme, o sentimento é saudade

Boa noite!
Vá dormir, enquanto ele dorme 😉

O terceiro trimestre

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O terceiro trimestre

A essa altura não só sua barriga tomou forma,
Seu bebê também
A ultra já revelou seu sexo, seu rostinho, seu tamanho…
Seu nome já foi escolhido, e chamá-lo já faz parte da rotina
A essa altura a comunicação de vocês é diária, seja pelas suas palavras e carinhos na barriga
Seja pelos chutes e cambalhotas dele ou dela
Vocês começam a se conhecer, você já espera por um cutucão depois de uma virada de lado na cama ou por tremidinhas animadas depois daquele brigadeiro
Ele ou ela já reage àquela reunião tensa com o chefe ou ao reencontro com o papai no fim do dia
A essa altura a relação de vocês se faz presente em cada respiração ofegante, em cada movimento desajeitado
A essa altura você quer que o tempo passe mas não que ele ou ela se apresse
Seu corpo está fora de eixo, seu centro de gravidade está fora do lugar
E a essa altura, você talvez já tenha percebido que seu coração também
Só que este não voltará inteiro ao seu peito,
Parte dele seguirá batendo em outro corpo…

Eu, ele e as palavras

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Eu, ele e as palavras

Ele nasceu sem sequer saber falar
Mas lá de dentro da barriga, as palavras ele já estava a escutar
No início só pelo choro ele podia se expressar
Mas eram as palavras sussurradas em forma de música que o faziam acalmar
E então vieram os sons que ele começava a balbuciar
Mas eram as palavras que eu conseguisse adivinhar que o faziam comemorar
E assim um dia pela primeira vez, ainda que incompleta, imperfeita
A primeira palavra ele conseguiu falar
Lembrança gostosa de se guardar
E depois dela vieram tantas outras, faladas, cantadas, repetidas às gargalhadas
Elas estão nas histórias, algumas o fazem sorrir, outras repetir
Ele gosta delas mas é a mim que elas vem divertir
Elas estão nas broncas de onde ele as escolhe imitar
E nas conversas que ele espia para depois perguntar
Ele primeiro aprende as palavras e depois as põe pra brincar
Quem dera a palavra entre nós permaneça e mais tarde ele conheça toda a poesia onde ela possa estar
Quem dera ele nunca se esqueça dos livros que muitas palavras ainda poderão lhe ensinar