Se você tem um bebê de poucos dias…

Categorias: Poesia Materna, Textos

Se você tem um bebê de poucos dias em casa tenha calma
Aos poucos você vai aprender a entender cada choro, eu prometo
Se hoje seu bebê sofre com cólicas
Com o tempo você vai descobrir que o melhor que pode fazer por ele nessa hora é manter a calma, e você consegue, acredite
Se o cansaço e o sono hoje te dominam
Não vou mentir, não vai melhorar, mas você vai se habituar, te garanto
Se amamentar está difícil e você está frustrada
Em algum tempo vocês se entendem e vai ter valido a pena, eu juro
Se você está com medo agora,
Respire fundo, isso passa, eu te digo
Se você quer que passe logo,
Não queira, porque quando você menos esperar terá passado e você terá se esquecido, eu sei

O que você lembrará
São as tardes com ele no seu colo no sofá
São os sorrisos e gargalhadas na troca de fralda de madrugada
São as trocas de olhares durante a mamada
São as poses fofas em que ele dorme
São as primeiras reações aos seus estímulos
São aqueles olhinhos te acompanhando quando você passa
São aqueles bracinhos balançando quando você vai pega-lo

Isso é o que fica
E no fim, você vai desejar viver tudo de novo
E talvez você decida mesmo começar outra vez, ou não
Mas com certeza você sentirá saudades

Sono do bebê: quando ele dorme….

Categorias: Poemas, Poesia Materna
Quando ele dorme

Você às vezes enlouquece com tanto trabalho que ele dá
Mas quando ele dorme você não enxerga nada além de um anjo
Você deseja mais que tudo um minuto de paz
Mas quando ele dorme o silêncio te traz uma certa inquietação
Você sente que o tempo está passando e ele está crescendo rápido demais
Mas quando ele dorme sempre lhe parece o bebê de antes
Você acha que enquanto pequeno você tem o controle
Mas quando ele dorme percebe que desde já os sonhos são só dele
Você está sempre perguntando o que está fazendo de errado
Mas quando ele dorme pensa “estou fazendo um bom trabalho”
Você está sempre esperando que ele durma para ter tempo
Mas quando ele dorme o tempo pára só para que o admire
Você algumas vezes se sente sufocada
Mas quando ele dorme, o sentimento é saudade

Boa noite!
Vá dormir, enquanto ele dorme 😉

O terceiro trimestre

Categorias: Poemas, Poesia Materna

O terceiro trimestre

A essa altura não só sua barriga tomou forma,
Seu bebê também
A ultra já revelou seu sexo, seu rostinho, seu tamanho…
Seu nome já foi escolhido, e chamá-lo já faz parte da rotina
A essa altura a comunicação de vocês é diária, seja pelas suas palavras e carinhos na barriga
Seja pelos chutes e cambalhotas dele ou dela
Vocês começam a se conhecer, você já espera por um cutucão depois de uma virada de lado na cama ou por tremidinhas animadas depois daquele brigadeiro
Ele ou ela já reage àquela reunião tensa com o chefe ou ao reencontro com o papai no fim do dia
A essa altura a relação de vocês se faz presente em cada respiração ofegante, em cada movimento desajeitado
A essa altura você quer que o tempo passe mas não que ele ou ela se apresse
Seu corpo está fora de eixo, seu centro de gravidade está fora do lugar
E a essa altura, você talvez já tenha percebido que seu coração também
Só que este não voltará inteiro ao seu peito,
Parte dele seguirá batendo em outro corpo…

Eu, ele e as palavras

Categorias: Poemas, Poesia Materna

Eu, ele e as palavras

Ele nasceu sem sequer saber falar
Mas lá de dentro da barriga, as palavras ele já estava a escutar
No início só pelo choro ele podia se expressar
Mas eram as palavras sussurradas em forma de música que o faziam acalmar
E então vieram os sons que ele começava a balbuciar
Mas eram as palavras que eu conseguisse adivinhar que o faziam comemorar
E assim um dia pela primeira vez, ainda que incompleta, imperfeita
A primeira palavra ele conseguiu falar
Lembrança gostosa de se guardar
E depois dela vieram tantas outras, faladas, cantadas, repetidas às gargalhadas
Elas estão nas histórias, algumas o fazem sorrir, outras repetir
Ele gosta delas mas é a mim que elas vem divertir
Elas estão nas broncas de onde ele as escolhe imitar
E nas conversas que ele espia para depois perguntar
Ele primeiro aprende as palavras e depois as põe pra brincar
Quem dera a palavra entre nós permaneça e mais tarde ele conheça toda a poesia onde ela possa estar
Quem dera ele nunca se esqueça dos livros que muitas palavras ainda poderão lhe ensinar